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[Crítica] «Kronos», de Cristina Branco – Muito provavelmente, o melhor álbum português de 2009

A Cristina Branco engana. Andou tanto tempo a cantar fado – “sem ser fadista”, não se cansa de repetir – que quase nos convencia. É que o fado da Cristina Branco é puro, doce, imaculado, uma maravilha – mas não é fado. E, ao décimo registo (“Kronos”), percebe-se porquê. Depois de um disco de revisita à obra de José Afonso (“Abril”, 2007), Cristina Branco arranca em “Kronos” para o seu melhor trabalho – e que volta a não ser fado.

No regresso aos inéditos, Cristina Branco (n. 1972, Almeirim) rodeia-se do melhor da música portuguesa para fazer um álbum que transpira intervenção por todos os poros, mesmo se ela já não é precisa. José Mário Branco, Sérgio Godinho, Amélia Muge, Rui Veloso, Vitorino, Janita Salomé, Maestro Victorino d’Almeida, Mário Laginha, Carlos Bica, João Paulo Esteves da Silva e Ricardo Dias são o universo de Kronos, mas também o universo de Cristina Branco, cantora que não quer ser fadista – embora o seja, claro – sobretudo, porque tem uma voz própria.

E nesta altura em que o (novo?) fado re-arrebata corações, talvez seja precisamente o facto de se permitir o desvio de não querer ser fadista que faz com que, ao contrário de outro(a)s, tenha em Portugal espectáculos com injustas meias-casas. Tudo somado, uma certeza: «Kronos» foi o melhor album português do ano. E uma completa incerteza: o futuro. Depois de «Kronos», o percurso futuro de Cristina Branco é insondável.

O fado da Cristina Branco? É maravilhoso.

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Jornalista. Amante de literatura, política, cinema, música, desporto e senhoras. Seguir, aqui: http://objectoquase.blogspot.com

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