A expectativa em torno do lançamento do iPad previsto para Abril e apresentado no dia 27 de Janeiro é grande, e desta vez não é só por parte dos fãs da empresa de Steve Jobs, que costumam aguardar a chegada de cada novo produto às lojas, como uma criança pela manhã de Natal.
Desta vez, há mais interessados no novo gadget da Apple. Os media tradicionais, que nos últimos tempos têm vivido períodos difíceis devido à crise económica e à expansão dos novos media, podem encontrar no iPad uma tábua de salvação, e a apresentação da nova ferramenta de leitura com o New York Times em pano de fundo está longe de ser aleatória.
Steve Jobs acredita que pode fazer o mesmo com o iPad, em relação aos livros, jornais e televisão, que fez com o lançamento do iPod e do iTunes, em relação à musica, ou seja, revolucionar o mercado.
No entanto, apesar das intenções de Jobs, o iPad parece ter desiludido muita gente e, nas primeiras 24 horas desde o seu anúncio, houve manifestações de desapontamento com as (poucas) funcionalidades do aparelho um pouco por todo o lado. E é sabido que sem adesão é difícil fazer uma revolução. O Kindle prometeu o mesmo e também não conseguiu.
O que muita gente se pergunta é se haverá espaço para um objecto que gravita entre um telemóvel e um portátil. Os críticos acusam o iPad de ser menos funcional que um computador e menos portátil do que um smartphone. E se não dispensa nenhum dos dois, para quê existir?
David Carr, colunista do New York Times, no dia 3 de Janeiro, quando o iPad ainda era conhecido como Tablet, chamou-lhe «Um salvador [para os media tradicionais] em forma de tábua» e apresentou os seus argumentos. «O Tablet representa uma oportunidade para renovar o romance entre o texto impresso e o consumidor».
O facto de os consumidores de informação assumirem uma postura pró-activa em relação ao texto e à imagem é um dos pontos realçados pelo colunista. «As revistas e os jornais competiram com a televisão durante anos com bons resultados porque oferecem experiências mediáticas qualitativamente diferentes. Os leitores não são espectadores passivos. Eles navegam traçando os próprios caminhos pelos conteúdos de acordo com a sua própria velocidade e caprichos».
Se a visão de Carr é claramente positivista em relação ao iPad, no sítio journalism.co.uk um texto de Patrick Smith apresenta os argumentos contra o novo “brinquedo” da Apple.
A primeira questão levantada invoca a falta de mão-de-obra para a produção de conteúdos para uma nova plataforma, depois dos despedimentos de jornalistas verificados no último ano.
Além disso, Charles Golvin e James McQuivey, citados no texto, consideram que o iPad «é um computador sem teclado, um leitor digital com pouca autonomia e com elevado preço e é também um leitor de media portátil que não cabe num bolso».
O último argumento, e talvez o mais importante, é apresentado por David Campell, um professor de geografia política e cultural. «Informação e distribuição estão separadas. Jornalismo é informação, e o Tablet, distribuição. Pode ajudar o jornalismo a circular, mas não pode salvá-lo.”
O que continua a fazer acreditar os jornais e revistas na salvação pelo iPad – com o New York Times à cabeça -, é o sucesso da comercialização de aplicações móveis e de música, que a Apple conseguiu implementar. O facto de existir um aparelho capaz de mostrar o conteúdo dos jornais de uma forma inovadora pode levar à subscrição de serviços pagos, e uma nova fonte de receitas para um mercado em queda, é claramente benvinda.
O que pode estar contra a inovação do iPad é que a tecnologia que existe já é boa – não é raro encontrar notebooks tactéis pouco maiores e pouco mais caros – e o conteúdo é grátis.
Abril será o mês do tira-teimas. Ver-se-á se a adesão chega para a revolução.
- Será o iPad o salvador do jornalismo? – Atlantic Wire
- Oito coisas (afinal são dez) que não prestam no iPad – Gizmodo
- O vídeo da apresentação no Youtube

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