Avatar continua a bater recordes de bilheteira – e outros como o de filme com maior número de downloads ilegais nos primeiros dois dias de lançamento (500 mil descargas em dois dias e 980 mil numa semana) – e a arrecadar prémios (melhor filme nos Globos de Ouro, cerimónia na qual Cameron recebeu também a distinção para melhor realizador). No entanto, a película de ficção científica em 3D, continua a receber críticas menos positivas – até do Vaticano – e surge agora a suspeita de plágio sobre o argumento.
A possibilidade de Cameron se ter inspirado nos livros de ficção científica russos, publicados na década de 60, «World of Noon», dos irmãos Strugatsky surgiu no jornal russo Komsomolskaya Pravda, que comparou directamente a obra literária russa com o blockbuster americano.
Os resultados não abonam em favor da originalidade do guião que Cameron diz ter escrito no ano de 1994. Em ambos os “universos”, passados no século XXII, segundo a publicação russa, existe um planeta chamado Pandora, igualmente húmido, quente e coberto de árvores, e uma raça com um nome invulgarmente parecido aos Na’vi de Cameron – Nave.
Também o jornal liberal, Novaya Gazeta, publicou um artigo sobre o mesmo assunto, no qual Dmitry Bikov, um jornalista e autor russo, afirma que os «Na’vi são inequivocamente reminiscentes dos Nave» dos irmãos Strugatsky. No entanto, Boris, o único dos dois irmãos ainda vivos, já desvalorizou as semelhanças e, segundo o The Guardian, negou rumores sobre uma possível acusação de plágio contra o realizador canadiano.
Mas esta não é a primeira acusação de plágio sobre Avatar. Em Agosto, quando saiu o trailer do filme de Cameron, foram feitas comparações imediatas com um dos maiores fracassos da história do cinema, a película Delgo (cujo trailer pode ser visto aqui).
Como se não bastassem as acusações de cópia de uma inteira raça, ou de um planeta, também alguns fãs do escritor de ficção científica Poul Anderson, acreditam que Jake Sully, o protagonista de Avatar, não é um personagem completamente original. Na obra de Anderson, «Call me Joe», de 1957, Ed Anglesey é um paraplégico que, telepaticamente, assume uma forma de vida artificial para explorar Júpiter. Com o passar do tempo, o personagem acaba por acostumar-se ao novo corpo e torna-se, tal como Sully, um verdadeiro nativo do planeta que explora.
O complexo do «Messias Branco»
Original ou não, o guião do filme é, para muitas vozes críticas que se levantaram nas últimas semanas, mais do mesmo no que diz respeito à forma como os Nativos são encarados na narrativa cinematográfica, à imagem do que se assiste em Danças com Lobos, Pocahontas, ou mesmo no Último Samurai.
Esta visão é defendida por David Brooks, colunista do New York Times, que afirma que o filme «se baseia numa assumpção de que os “não-brancos” precisam de um “Messias Branco” para os liderar», ou de que «os Nativos podem ter a sua história definida por imperialistas cruéis, ou benevolentes, mas de qualquer forma, eles acabam por ser actores secundários, na nossa jornada [dos brancos] para a auto-admiração».
Quem partilha da mesma visão é a actriz Robinne Lee (Sete Vidas, Hotel para Cães), que tem ascendentes chineses e jamaicanos. Robinne Lee, citada pela Associated Press, considera que a forma como os nativos são tratados «é realmente aborrecida», realçando que «seria bom, se nos pudéssemos salvar a nós próprios [aos nativos]».
Cameron, por sua vez, defende-se das acusações em e-mail enviado também à A.P.. Para ele, Avatar «convida-nos a abrir os olhos e a olhar verdadeiramente para os outros, respeitando-os ainda que sejam diferentes, na esperança que possamos encontrar um caminho para evitar conflitos, vivendo mais harmoniosamente neste mundo. Não penso que isto seja uma mensagem racista».
Vaticano não ficou convencido com os aliens azuis, Evo Morales sim
Para o Vaticano, o problema é outro. O L’Osservatore Romano rendeu-se à qualidade visual do filme, mas esse foi o único elogio recebido por Avatar. «Não há muito por detrás das imagens», afirma o jornal, que critica ainda a forma como a Natureza é encarada como uma divindade no blockbuster de Cameron.
O mesmo problema é levantado pela Vatican Radio que afirma que Avatar «pisca o olho às pseudo-doutrinas que transformam a ecologia na religião do novo milénio», acrescentando ainda que «a Natureza já não é uma criação para defender, mas uma divindade para adorar».
Apesar de Avatar não ser divino, há muito quem o adore. Certo é que todos têm algo a dizer sobre aquilo que Cameron mostrou do planeta Pandora, até… Evo Morales, o primeiro presidente indígena da Bolívia, que louvou o filme pela sua mensagem ambientalista de salvar a natureza da exploração.
[Actualizado]

Sinceramente não percebo o que é que este filme tem de especial em termos de argumento! Se ganhar Oscares espero que sejam nas categorias técnicas… Nem o de melhor realizador merece, visto isto ser basicamente um não trabalho do Cameron…Quem fez tudo foi os efeitos especiais do PC.
Contudo sei, com certeza, que este filme vai limpar a Gala da Academia… Mas pronto…
Abraços