Dois anos após o seu último concerto – no Coliseu dos Recreios, em Lisboa – os «Arctic Monkeys» voltaram a Portugal, desta feita para apresentar o seu terceiro álbum «Humbug», com duas datas no Porto (Coliseu) e em Lisboa (Campo Pequeno) nos dias dois e três de Fevereiro, respectivamente.
«Humbug», lançado em Agosto de 2009, foi considerado pela crítica uma obra mais madura da banda de Sheffield, onde a sua sonoridade assume uma nova dimensão, sem as guitarradas ritmadas à qual nos habituámos a bater o pé, e onde somos introduzidos a um lado mais negro e melancólico.
Havia por isso a curiosidade de perceber como se iriam reflectir essas mudanças na actuação da banda. E se o Coliseu do Porto se esgotou meses antes do dia do concerto, o Campo Pequeno não quis ficar atrás, enchendo também por completo. A verdade é que, sem se esforçarem minimamente, os rapazes de Sheffield reúnem a simpatia de um público que reage – com mais ou menos histeria – aplaudindo e cantando, do inicio ao fim, as músicas da banda. O cenário para um bom concerto estava, por tudo isto, montado.
Foi no meio de cortina de fumo que os rapazes, mais velhos e sobretudo mais cabeludos, surgem com uma abertura como que a anunciar o final da adolescência, onde a música «Dance Little Liar» serviu de pretexto. Sem nunca deixar de lado este novo lado melancólico – inclusive nas músicas dos dois primeiros álbuns – os temas receberam um novo revestimento, mais stoner, como que a protege-los da noite fria que se fazia sentir lá fora.
Acabou por ser um concerto mais pesado, para aqueles que esperavam o pop-rock dos outros dois, onde a acústica do Campo Pequeno nem sempre foi melhor, levando a que, por vezes, as palavras de Alex Turner se perdessem no meio de riffs mais hostis. Mas nem isso foi suficiente para arrefecer um concerto que teve como pontos altos músicas como «Brainstorm», «The View From The Afternoon», «I Bet You Look Good On The Dancefloor» e «When The Sun Goes Down». Outra das novidades deste concerto foi todo um jogo de luzes que, juntamente com duas colunas de leds, davam uma diferente perspectiva do concerto ao mesmo tempo que faziam do palco uma zona caótica, não aconselhado a epilépticos.
No final pediu-se mais e, ao contrário do que tinha sucedido nos dois primeiros concertos em terras lusas, os rapazes fizeram a vontade e voltaram para oferecer «Cornerstone» e «505», finalizando em beleza numa noite onde a banda, acompanhada de um quinto elemento encarregado de um rhode e de uma guitarra, soube tourear com classe um público desejoso, sem nunca defraudar quaisquer expectativas.
E assim o ritmado tornou-se frenético. As letras orelhudas tornaram-se menos repetitivas, mais complexas. A ausência de clearasil transformou-se na ausência – quase gritante – de tesouradas. E assim os rapazes se tornaram homens.

Uma das minhas bandas preferidas! Simplesmente brutais!
Quem me dera poder ter estado no Porto a vê-los. Haverá mais oportunidades com certeza!
Abraços
Continuação
Pois eu já os tinha visto há dois anos na sua versão ainda um pouco teenager e, apesar de na altura ter adorado, fiquei estupefacto com a forma que eles demonstram neste momento. É um salto tremendo e é bom vermos uma banda a crescer desta maneira…
Abraço e obrigado pelo comentário