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Afinal, lançamento de «O Terceiro Reich», de Bolaño, foi só uma espécie de lançamento

Capa da edição portuguesa lançado pela QUETZAL

É o cenário habitual para o lançamento de um livro: noite, praia, mar revolto, algum nevoeiro. As ruas desertas. Um bar na praia – com o curioso e engenhoso nome de «Bar da Praia». À hora marcada (as 24 de 25 ou as zero de 26, escolham a gosto) o palco está tomado por um jovem de vinte e poucos anos, talvez menos, que protagoniza um momento de karaoke.

A música é «I gotta feeling», dos Black Eyed Peas – que também patrocina, mais ou menos a despropósito, a selecção nacional no mundial de futebol da África do Sul. O bar da praia está à pinha, e o que seria um karaoke normal é antes um bem ensaiado coro. A música faz fade out e o jovem pára o karaoke a contra-gosto. “O patrão já está a ficar nervoso”, diz. Tal como o cenário, também a pontualidade é a habitual.

O jovem devia reclamar. Vários outros reclamaram – foi audível e alguns deles (coisa para 20 ou 30) não pareciam particularmente entusiasmados com o lançamento de um livro num bar [particularmente naquele; eles chegaram primeiro, que raio] e restam dúvidas sobre se fazem ideia de quem terá sido Bolaño. Nas paredes do bar lê-se «Karaoke terças e quintas». Não se lê – nós não lemos – «Apresentações de livros de fenómenos literários póstumos às terças e quintas – ou vá, condescendemos, (só) às quintas».

E é então que, terminado o karaoke, aparece o homem da noite – não Bolaño, lamentavelmente, mas o seu editor em Portugal, Francisco José Viegas, da Quetzal. Afinal, porque estamos aqui? – não nesta crónica, mas no bar da praia (Bar da Praia, que raio de nome haviam de arranjar!). É o lançamento de «O Terceiro Reich», livro de Roberto Bolaño – e é, também, a primeira tradução mundial deste livro do último fenómeno literário.

Francisco José Viegas fala. Só o sabemos porque está em cima do palco e mexe os lábios – para ouvir, não era dia; não ali, no Bar da Praia. São dois ou três breves minutos. O resto, mais coisa menos coisa, é história. Hum, bem, não… História talvez não -  mas o que quer que tenha sido, começou por soar a Rammstein.

Bem, foi copos e pratos. Copos a cargo dos barmans e barmaids do Bar da Praia – que a propósito, e se vos aprouver, fica junto ao Hotel Axis Vermar – e pratos, à responsabilidade do faz-tudo (e bem! e bem!)  irmão lúcia, sob o mote «Rock afinado pela literatura de Roberto Bolaño». Hoje, estão nas bancas dez mil exemplares. Aceitam-se apostas para saber em quanto tempo esgotam.

Reportagem escrita na festa de lançamento do livro «O Terceiro Reich», de Roberto Bolaño, integrada no programa do Correntes d’Escritas, a decorrer na Póvoa de Varzim.

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Nome: Pedro F. Guerreiro

Número de Artigos: 14


Jornalista. Amante de literatura, política, cinema, música, desporto e senhoras.

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