À pagina 231 do livro «American Hardcore: A Tribal History» (inédito em Portugal), o seu autor, Steven Blush escreve a seguinte passagem: “Norman, OK (Oklahoma), casa da Universidade de Oklahoma, tinha espectáculos em salas tipo VFW (Salões de Veteranos da Guerra). Toquei por lá duas vezes com os «No Trend», em 83 e 84; Na segunda vez tivemos 50 pessoas na audiência. O grupo que fez a primeira parte nessa noite tocou o «Dark Side of the Moon» dos Pink Floyd do princípio ao fim. Eram os Flaming Lips”.
Confiando na memória deste documentarista da história do punk rock hardcore norte-americano, a música dos britânicos Pink Floyd, e em especial o clássico álbum «Dark Side of the Moon» há muito que fazem parte do percurso musical dos Flaming Lips, porventura desde a sua formação.
Vinte e cinco anos depois da referida actuação na sua terra natal, a ligação da banda de Wayne Coyne à mestria psicadélica e progressiva dos Pink Floyd e ao seu álbum conceptual vê finalmente a luz do dia, desaguando naquele que é o 13º registo discográfico dos Flaming Lips, o segundo editado em 2009, depois do excelente «Embryonic».
Contando com a colaboração dos Stardeath and White Dwarfs, banda de Dennis Coyne, sobrinho do dito cujo, de Peaches e de um tal de Henry Rollins, vocalista dos históricos Black Flag e actual artista de spoken word e stand-up, como que para completar a ligação ao punk hardcore, o «Dark Side of the Moon» dos Flaming Lips não é o «Dark Side of the Moon» dos Pink Floyd. E não o é, não apenas por estarem separados por 36 anos ou por se encontrarem um mundo severamente diferente, mas também porque tal comparação seria demasiado injusta para os rapazes de Oklahoma.
Com um estilo musical claramente descendente dos “Floyd”, a pop psicadélica dos Flaming Lips tem gerado ao longo dos anos uma sucessão de discos cuja qualidade é definida aleatoriamente. Nuns casos a cacofonia e a aparente anarquia sonora gera música que roça a genialidade, enquanto noutros casos não andará muito longe de um acidente com múltiplas vítimas mortais.
No caso desta visão do clássico da música rock, a primeira audição deve obrigatoriamente que ser feita de pé atrás e com as expectativas pouco acima do nível do mar, não por descrédito ou falta de confiança na genialidade de Wayne Coyne e dos seus pares, mas porque entrar com as expectativas lá bem no alto seria colocar um peso demasiado grande nos ombros dos músicos.
Neste caso, a competência dos Flaming Lips é confirmada, não sendo um álbum que envergonhe a discografia da banda. Mesmo o sr. Rollins – a recriar os samples de voz presentes no álbum original – e a sra. Peaches – a dar a voz na faixa «The Great Gig in the Sky» – não se portam nada mal. Aliás, para além de «The Great Gig in the Sky», as outras faixas que se destacam são a onírica «Us and Them», e a instrumental «Any Colour You Like», num som quase a roçar o funk.
«Dark Side of the Moon» não é o melhor disco que os Flaming Lips já criaram, longe disso. Para o confirmar ouça-se «The Soft Bulletin», «Yoshimi Battles the Pink Robots» ou «Embryonic».
Este disco, lançado por altura do Natal, aparenta ser mais uma prenda para os fãs da banda e para os próprios membros do veterano agrupamento. Um registo do seu passado, do início, dos tempos em que tudo começou, porventura numa garagem algures no Oklahoma a ouvir «Dark Side of the Moon» e a tocar rudimentarmente por cima.
À pagina 231 do livro «American Hardcore: A Tribal History» (inédito em Portugal), o seu autor, Steven Blush escreve a seguinte passagem: “Norman, OK (Oklahoma), casa da Universidade de Oklahoma, tinha espectáculos em salas tipo VFW (Salões de Veteranos da Guerra). Toquei por lá duas vezes com os «No Trend», em 83 e 84; Na segunda vez tivemos 50 pessoas na audiência. O grupo que fez a primeira parte nessa noite tocou o «Dark Side of the Moon» dos Pink Floyd do princípio ao fim. Eram os Flaming Lips”.
Confiando na memória deste documentarista da história do punk rock hardcore norte-americano, a música dos britânicos Pink Floyd, e em especial o clássico álbum «Dark Side of the Moon» há muito que fazem parte do percurso musical dos Flaming Lips, porventura desde a sua formação.
Vinte e cinco anos depois da referida actuação na sua terra natal, a ligação da banda de Wayne Coine à mestria psicadélica e progressiva dos Pink Floyd e ao seu álbum conceptual vê finalmente a luz do dia, desaguando naquele que é o 13º registo discográfico dos Flaming Lips, o segundo editado em 2009, depois do excelente «Embryonic».
Contando com a colaboração dos Stardeath and White Dwarfs, banda de Dennis Coyne, sobrinho do dito cujo, de Peaches e de um tal de Henry Rollins, vocalista dos históricos Black Flag e actual artista de spoken word e stand-up, como que para completar a ligação ao punk hardcore, o «Dark Side of the Moon» dos Flaming Lips não é o «Dark Side of the Moon» dos Pink Floyd. E não o é, não apenas por estarem separados por 36 anos ou por se encontrarem um mundo severamente diferente, mas também porque tal comparação seria demasiado injusta para os rapazes de Oklahoma.
Com um estilo musical claramente descendente dos “Floyd”, a pop psicadélica dos Flaming Lips tem gerado ao longo dos anos uma sucessão de discos cuja qualidade é definida aleatoriamente. Nuns casos a cacofonia e a aparente anarquia sonora gera música que roça a genialidade, enquanto noutros casos não andará muito longe de um acidente com múltiplas vítimas mortais.
No caso desta visão do clássico da música rock, a primeira audição deve obrigatoriamente que ser feita de pé atrás e com as expectativas pouco acima do nível do mar, não por descrédito ou falta de confiança na genialidade de Wayne Coyne e dos seus pares, mas porque entrar com as expectativas lá bem no alto seria colocar um peso demasiado grande nos ombros dos músicos.
Neste caso, a competência dos Flaming Lips é confirmada, não sendo um álbum que envergonhe a discografia da banda. Mesmo o sr. Rollins – a recriar os samples de voz presentes no álbum original – e a sra. Peaches – a dar a voz na faixa «The Great Gig in the Sky» – não se portam nada mal. Aliás, para além de «The Great Gig in the Sky», as outras faixas que se destacam são a onírica «Us and Them», e a instrumental «Any Colour You Like», num som quase a roçar o funk.
«Dark Side of the Moon» não é o melhor disco que os Flaming Lips já criaram, longe disso. Para o confirmar ouça-se «The Soft Bulletin», «Yoshimi Battles the Pink Robots» ou «Embryonic».
Este disco, lançado por altura do Natal, aparenta ser mais uma prenda para os fãs da banda e para os próprios membros do veterano agrupamento. Um registo do seu passado, do início, dos tempos em que tudo começou, porventura numa garagem algures no Oklahoma a ouvir «Dark Side of the Moon» e a tocar rudimentarmente por cima.
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Nome: Bruno Nunes
Número de Artigos: 314
Apreciador de música, cinema, livros. A bem dizer, apreciador de tudo um pouco. Co-criador e editor do projecto ilícito[mag]. Para mais sobre este indivíduo, visitem http://flavors.me/bmcn.

