Um dia Barack Obama, ainda senador, terá afirmado numa entrevista que gostava «da forma como Jay-Z conta histórias através do hip-hop» considerou-o, inclusive, uma das figuras mais influentes na cultura americana. Por essa altura, já o rapper, natural de Brooklyn, tinha alcançado tudo o que um artista pode desejar. Sucesso junto do público e da crítica, álbuns que se tornaram verdadeiros legados na cultura mundial (como «The Blueprint» ou «The Black Album»), uma label, uma marca de roupa de sucesso, um ego do tamanho do mundo e bem…a Beyonce.
Muito na sua música mudou desde «Reasonable Doubt» – albúm lançado 1996 que o projectou. Inevitável, o próprio Hip-hop mudou. Mas esta escalada, rumo ao sucesso, teve sempre um ponto comum: Nova Iorque, a sua cidade natal. Seja como cenário de fundo das suas músicas ou como principal interveniente, a variedade cultural das ruas de Nova Iorque, onde Jay-Z cresceu, esteve sempre presente nos vários momentos da carreira do músico, quer nas letras quer em vídeos.
Mais recentemente, com o lançamento do terceiro álbum da “saga” «The Blueprint», a cidade volta a ganhar destaque com a muito rodada «Empire State of Mind», que conta com a participação da Alicia Keys no refrão. Com toda a projecção mediática que a música teve, rapidamente ascendeu a hino da cidade tornando, definitivamente, Jay-Z num ícone de Nova Iorque, um «Black Sinatra» capaz de elevar símbolos da cidade, já de si populares, a um outro nível («shit i made the yankee hat more famous than a yankee can»).
E é, precisamente esse, o ponto de partida para o mais recente mini-documentário, lançado em colaboração com a marca de vodka «Absolut», com cerca de 15 minutos, que aborda os preparativos de um concerto de beneficência que o músico deu no Madison Square Garden no dia 11 de Setembro de 2009 – marcando o aniversário de um dia trágico para a cidade. O documentário, intitulado «NY-Z», foi dirigido por Danny Clinch que sublinha o facto de este tentar “celebrar a cidade através dos olhos de Jay-Z” e explorar a importância para um artista de actuar num palco tão mágico como o M.S.G, sendo também um relato sobre os preparativos do espectáculo.
Este documentário está disponível gratuitamente na internet e merece a visualização, tanto pelos testemunhos de alguém que viveu e respirou a cidade como pela participação de John Mayer que tem, por breves momentos, um solo de guitarra de um excerto da música «D.O.A.» simplesmente delicioso.
Sejam, então, bem-vindos a NY-Z.
