Nasceu como um projecto experimental composto por uma one-man-band, antes de assumir a dimensão de uma banda onde há espaço inclusive para a estética de um VJ.
Criam aquilo que normalmente se apelida de synth-pop ou, como o membro fundador do projecto faz questão de sublinhar, indietronic com influências múltiplas e dispares, que vão desde Chopin a Joy Division, passando pelo modernismo dos Hot Chip.
Já figuraram no álbum «Novos Talentos» da Fnac no ano de 2009 e agora em 2010 apresentam-se com o EP «Outdated» – lançado em formato donationware – a fazer lembrar, uma vez mais, que na música nada se perde, tudo se (re)inventa.
Para saber mais sobre o projecto, o ilícito esteve à conversa com Rui Gaio, criador do Peltzer.
ilícito: Como, quando e porquê nasceu o projecto Peltzer?
O Peltzer nasceu em 2006, numa fase em que a experimentação com os timbres dos sintetizadores virtuais - alguns deles emuladores de sintetizadores analógicos com algumas décadas – ocupava a maior parte do meu tempo. Substituíram-se ao piano e à guitarra e conseguiram dissipar o fantasma da tela em branco que pode constituir o início do processo “agora vou fazer uma música”.
ilícito: O Peltzer, enquanto projecto, começaram apenas como uma “one-man-digital-band”, para depois assumirem a actual formação de quarteto. Porquê esta mudança? Que implicações teve, ou não, no som produzido?
Começou por ser uma “one-man-digital-band-and-a-VJ” porque queria experimentar até descobrir onde a parceria do meu cérebro com o processador do computador poderia chegar. É claro que não descobri esse limite, o que senti foi a falta de seres humanos ao meu lado para partilhar a sensação de estar em palco. Fui esperando até encontrar as pessoas certas, ou melhor, até as pessoas certas quererem tocar comigo. Agora, com o Carlos Calado na guitarra e o Paulo Barreto no baixo tudo bate certo, o som produzido é mais cheio, mais orgânico e mais enérgico. Gostamos de nos designar O Peltzer (no singular).
ilícito: O Peltzer conta com um VJ no agrupamento. A influência do Homem Bala faz-se sentir apenas nos espectáculos ao vivo ou é de esperar o seu dedo noutros sectores? Qual a importância deste elemento na estética da banda?
O Pedro Gonçalves / Homem Bala, estando presente desde o nascimento do projecto constitui uma grande influência em toda a estética do projecto, desde o meio auditivo até ao visual passando pelo interactivo. Não consigo conceber um concerto sem a presença das suas imagens ou um suporte físico sem as sua ilustrações.
ilícito: O vosso EP «Outdated» é distribuído em regime donationware. O que vos levou a optar por este método de divulgação?
Gostávamos de descobrir se alguém estaria disposto a contribuir financeiramente e de forma voluntária após ter tido prazer em ouvir a nossa música. Se resulta com os produtores de software, porque não com um projecto musical?
ilícito: Em «Outdated» apresentam uma sonoridade synth-pop com uma pitada do universo new wave da década de 80. Quais as principais influências por detrás do Peltzer?
Também há quem lhe chame indietronic. Posso mandar para o ar alguns nomes consensuais: Grandaddy, Mercury Rev, Bjork, Massive Attack, Portishead, Flaming Lips, Hot Chip, Radiohead, Ladytron, Interpol, Joy Division, The Beatles, Shumman, Pulp, Ravi Shankar, Grizzly Bear, Morrisey, Late of the Pier, Chopin, Depeche Mode, Gorillaz, Belle & Sebastian, Sigur Rós.
ilícito: Existe algum significado a escolha da expressão «Outdated» como nome para o vosso disco de apresentação?
Sim, mas todos os significados das letras, nomes de canções e nomes dos discos são puramente especulativos. Especulo que possa estar associado à condição de suporte obsoleto que constitui o CD-Audio no qual estas quatro músicas foram gravadas, ou mesmo da natureza efémera de um determinado estilo musical dentro do universo POP.
ilícito: Para além do registo agora lançado, o Peltzer conta já com presenças em algumas compilações, entre as quais se destaca a «Fnac Novos Talentos» de 2009». Que benefícios directos vos trouxe e traz este tipo de exposição?
O Fnac Novos Talentos trouxe-nos um primeiro reconhecimento por parte de quem se dedica a assinalar nomes relevantes da nova música portuguesa. É muito bom e urgente sermos reconhecidos para podermos continuar a procurar o nosso caminho.
ilícito: O que reserva o futuro do Peltzer? Concertos, tournées, novos projectos?
Já estamos a tocar músicas novas que vão ser gravadas brevemente. Adianto que teremos ainda este ano um maxi de dois temas cá fora, chamar-se-ão a) “Starlight” e b) “The Golem”, desta vez com direito a vídeo com realização de Homem Bala. Gostávamos de ter a oportunidade de tocar em palcos grandes, espero que aconteça.
Depois de terem tocado ao vivo no Theatro Bar em Tomar no passado dia 10 e no Passos Manuel, no Porto na passada sexta-feira, o projecto Peltzer sobe nesta noite de sábado ao palco de “O meu mercedes é maior que o teu”, no Porto.
Este concerto tem início marcado para as 23h00 e conta ainda com a actuação dos MUSGO.
Para saberem mais sobre o projecto Peltzer basta visitar o site ou o myspace da banda de T(h)omar.


