
Seguindo uma política de diggin label – coleccionando faixas que representem certas eras e/ou estilos em edições próprias – a Secret Stash apresentou recentemente uma compilação que tenta contar, no fundo, como se fez a história do Funk Soviético, durante a década de 70, quando ainda nem a própria União Soviética sabia o que era o Funk.
Soviet Funk é um disco que vale à partida pelo conceito, ou não fosse elas a conjunção de duas culturas antagónicas – a do Funk e a Soviética. A verdade é que, na incapacidade de imaginar conjunção de melodias quentes e, por vezes, secas – inevitavelmente ligadas à cultura africana – ao país gélido, em temperatura e costumes – como a Rússia e países da Ex-União Soviética faz-nos despertar aquele sentimento/curiosidade de quem está numa plateia de circo na ânsia de ver o malabarista a tropeçar – a ânsia do desastre, no fundo.
Mas desenganem-se os mais descrentes, porque nem é preciso uma mente muito aberta para se perceber que o Funk, este em particular, é mesmo bom!
Esta colecção reúne faixas de Pavel Sysoyev, músico natural de Abakan (no sul da Sibéria) durante os anos de 1971 e 1976, quando fortes restrições políticas limitavam o acesso a cultura estrangeira e onde a maioria dos cidadãos pouco ou nada conheciam da cultura Afro-Americana. Certo é que, tendo apenas como base uma pequena colectânea de discos de R&B e Jazz Americanos datados da década 60, Syosoyev conseguiu, com um conjunto de amigos, recriar sonoridades muito próximas ao Funk que, apesar de ter raízes mais ligadas ao Jazz, tem sempre presente um Groove de baixos sempre presentes que garantem às canções um autenticidade, ao mesmo tempo com que lhe garante um certo classicismo capaz de agradar até os mais fervorosos adeptos do estilo.
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Nome: Pedro Martins
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Software Engineer @ Movensis com mestrado em Sistemas de Informação Empresariais no Instituto Superior Técnico. Fascinado por fotografia, música, cinema e bem...por tudo o que se escreve por aqui.
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