
Orchestra Baobab @ MED 2010
Se nos dois primeiros dias do Festival MED 2010 o público era constituído maioritariamente por aficionados, ao terceiro dia, com o fim-de-semana à espreita, as ruas do festival deram lugar a uma mescla de curiosos e conhecedores, num ambiente mais familiar.
Num recinto muito perto da sua lotação máxima, a festa faz-se em qualquer canto e em qualquer palco. Uma festa que por vezes acaba por ser feita também de escolhas, convém realizar uma triagem prévia do que se pretende acompanhar, a navegação pelas ruelas que ligam os palcos nem sempre se faz com a fluidez desejada e as actuações dos nomes mais consagrados acabam por se sobrepor frequentemente.
No Castelo, pelas 21h30, subiram ao palco os Galandum Galundaina, conjunto oriundo do nordeste transmontano que trouxe para o sul toda uma tradição musical e etnográfica de valor incontestável. Com uma panóplia de instrumentos perdidos no tempo e valendo-se da riqueza da língua mirandesa, arrancaram rasgados elogios do público presente, encantado com uma música tradicional portuguesa desconhecida da maioria.

3 Pianos @ Festival MED
Por volta das 21h45 o Palco Matriz, o maior palco do evento, era pequeno para os três pianos de cauda que nele se encontravam. O colectivo 3 Pianos, constituído pelos nomes sonantes de Pedro Burmester, Mário Laginha e Bernardo Sassetti, tocou perante uma plateia curiosa, num reportório variado e alguma improvisação. Com a certeza de que não se trata de música para as massas, a receptividade do público foi pautada por altos e baixos.

Anaquim @ Festival MED 2010
Continuando em português, desta vez no Palco Cerca, entrava em cena o grupo Anaquim. Um projecto pessoal de José Rebola, que é ao mesmo tempo compositor, cantor e guitarrista no colectivo. Ele que passou por várias bandas de géneros distintos, mas, tal como tem inscrito na sua guitarra “já crescido e ainda à espera de me tornar uma estrela rock” procura agora marcar o seu lugar no mundo da música. Com uma prestação bastante sólida, proporcionaram momentos de animação e muita diversão à sua audiência, que pecou por parca, tendo em conta o recheio do recinto.
Não foi preciso esperar muito para compreender para onde tinha convergido grande parte do público. Ao percorrer as ruas ouve-se anunciar o início do concerto de The Legendary Tiger Man no Palco Castelo. Outra informação importante é dada, a lotação do concerto está completamente esgotada e mesmo o acesso ao Castelo encontra-se completamente congestionado. Ninguém quis perder a actuação deste one man show. A equipa do ilícito ainda tentou infiltrar-se pelo mar de gente mas a luta revelou-se inglória.
A alternativa foi rumar uma vez mais ao Palco Matriz, onde um pouco antes da meia-noite a Orchestra Baobab se preparava para actuar. Constituída por músicos das mais variadas origens africanas e sedeada no Dakar, mistura vários géneros, do étnico ao afro-cubano. Numa autêntica celebração à música, com muita energia e alegria, fizeram literalmente “a festa” em palco e mostraram que a idade é um posto e quem sabe não esquece.

Orquestra Baobab @ MED 2010
Seguiu-se outra banda do mundo, os Watcha Clan juntaram-se há dez anos para oferecer ritmos frenéticos sob o mote “somos nómadas no mundo da música, a nossa missão é a constante procura de espaço e liberdade.” O género? Talvez imaginar flamenco, guitarras eléctricas, dub, jungle, com influência do norte de África e dos Balcãs, não deixe de ser uma definição bastante redutora, mas é uma aproximação à realidade. Com uma performance electrizante, os pés eram quase obrigados a sair de sítio e o público reagiu alegremente ao chamamento.
Findado que está o terceiro dia do Festival MED 2010, resta-nos esperar que o quarto e último dia traga pelo menos a mesma animação dos restantes, culminando merecidamente em grande!

[...] Ler mais [...]
[...] Dia 3 – A World Music também é para as massas [...]
É pena não falarem ou mostrarem os grupos mais pequenos que foram bem interessantes….