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«Hard Ass Sessions»: Já não é progressivo. O Kuduro veio para ficar

Quando em 2006 Lil John, Riot, Condutor e Kalaf se juntaram num projecto, à partida temporário, que visava a redescoberta de ritmos africanos com principal foco no Kuduro, poucos imaginaram o fenómeno que daí nasceria. Numa época onde estes ritmos tinham impacto, sobretudo, nas grandes cidades junto das comunidades africanas, a verdade é que para a grande maioria dos portugueses estes estilos não se enquadravam no seu espectro musical, sendo na grande maioria das vezes marginalizado.

Terá sido este o principal mérito destes rapazes, que há quatro anos fundaram os Buraka Som Sistema e editaram o EP «From Buraka to the World». Reconhecendo valores “escondidos” aos ouvidos de muitos, conseguiram compor hits que iam muito além do factor rítmico contagiante do Kuduro. Era “Kuduro” mas, ao mesmo tempo, “progressivo” – dizia-se, como que a justificar esta diferença súbita que fizera deste estilo, nascido nas ruas de Luanda, mais atractivo e actual.

Hoje os Buraka Som Sistema evoluíram, ultrapassando barreiras que vão para além do sucesso geográfico que têm tido. Já não são só Kuduro, sem nunca terem deixado de o ser. E se em tempos este foi o foco da sua sonoridade, hoje é a fundação daquilo que produzem.

No entanto, essa jornada de levar o Kuduro a novos ouvidos e a novas pistas de dança que um dia fizeram dos Buraka e da Enchufada – editora indepente cuja origem estará inevitavelmente marcada à génese da banda de Lisboa – embaixadores do Kuduro no mundo, tem conhecido novo fôlego com o projecto «Hard Ass Sessions» que vai agora para a segunda edição.

E se o primeiro volume foi inteiramente dedicado ao trabalho de Dj Znobia, um dos principais nomes da nova vaga de produtores angolana e que conta inclusive com participações com os Buraka, este segundo volume, que chega às “lojas” no dia 15 de Junho, teve como principal objectivo desafiar um conjunto de “dj’s e produtores de diversos géneros musicais a fazer um beat de Kuduro”. Do House ao Dancehall, este segundo volume apresenta nomes como Nic Sarno, BOK BOK, Douster e a dupla portuguesa Zombies for Money.

O single que agora nos chega intitula-se «Mana Sana» e é da autoria do italiano Nic Sarno, que não teve problema em envolver outros ritmos étnicos em torno do Kuduro, resultando numa séria ameaça às pistas de dança neste Verão.

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Software Engineer @ Movensis com mestrado em Sistemas de Informação Empresariais no Instituto Superior Técnico. Fascinado por fotografia, música, cinema e bem...por tudo o que se escreve por aqui. Fundador e editor do ilícito[mag] Mais aqui

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