Possuidor de um inquestionável percurso, Herbie Hancock assume aos 70 anos o estatuto de lenda viva do jazz. Tendo trabalhado e tocado ao lado de diversos nomes sonantes – onde se destaca o quinteto de Miles Davis – o pianista e compositor destaca-se sobretudo pelo seu percurso a solo e pela rebeldia com que, desde muito cedo, ousou fundir o jazz com ritmos mais electrónicos.
Daí que quando em 2008 o músico foi premiado com um Grammy pelo álbum “River: The Joni Letters” – apenas o segundo álbum de jazz a receber tal distinção – tenha ficado no ar a ideia de que mais do que premiar o disco, esta distinção pretendia enaltecer a carreira. O álbum terá tido os seus méritos é certo, até pela recepção por parte da crítica, mas a verdade é que se tratava de uma obra menor do músico. Menos livre, menos rebelde e, no fundo, menos Herbie Hancock. Agora em 2010 o músico volta-se a apresentar com um novo trabalho, intitulado «Imagine Project», que se conjuga com um documentário e propõe desafiar as raízes das várias culturas mundiais. Conceptualmente o álbum consiste num conjunto de versões de temas emblemáticos da história da música, desde «Imagine» de John Lennon – tema que dá nome ao projecto – a «The Times, They Are A’Changin» de Bob Dylan, por entre outros. Para tal, Herbie Hancock contou com a colaboração de vários músicos, maioritariamente ligados ao mundo da música pop, como Pink, James Morrison, Dave Matthews, John Legend e Seal.
Pelo que nos é dado a conhecer através do site do músico, o álbum representa uma nova viagem de Herbie a um mundo mais popular e, consequentemente, aborrecido. Não que o popular seja por norma mau, mas o facto é que em «Imagine Project» raras são as versões apresentadas que nos cativem e que, no fundo, acrescentem algo de novo ao tema original. Destaca-se no entanto a faixa “Tamatant Tilay/Exodus“ com participações de K Naan and Los Lobos onde a fusão das teclas de Herbie com os sons africanos, intimamente ligados ao Afrobeat, funcionam na perfeição.
