Desengane-se quem pensa que o mundo do erotismo e da pornografia anda esquecido em Portugal. O aumento do número de sex shops pelo país, as revistas “para homens”, os canais porno nas grelhas da tv cabo, a realização do Salão Internacional Erótico de Lisboa (SIEL) de há seis anos para cá e respectivas ramificações pelo Porto e Portimão, assim como o crescimento de produtoras como a HotGold que elevaram a fasquia das produções nacionais em muito têm contribuído para o desmistificar deste tema.
Foi com esse mesmo propósito, assim como o de quebrar tabus e abrir mentalidades, que o pavilhão 4 da FIL acolheu o Salão Erótico Internacional de Lisboa. Durante três dias o branco do pavilhão foi substituído pelas cores vibrantes das luzes que animavam os espectáculos de striptease e pelos vários tons de plástico dos inúmeros brinquedos sexuais que se encontravam para venda.
Logo à entrada, o stand HotGold chamava a atenção. Lá dentro, para além das estrelas nacionais que protagonizaram filmes como «As Fantasias Sexuais de Ana», «O Diário Sexual de Maria» ou o recente «Tavares, o Arquitecto Quebra-Bilhas» e dos espectáculos praxe, o público era presenteado com uma exibição de um filme porno em 3D. Com os óculos postos os visitantes lá se iam sentando nas cadeiras, para assistir, não a um «Avatar», mas a um outro qualquer filme com uma estória mais que batida.
Este não era no entanto o único espaço de lazer no Salão. Também sempre em grande animação, o palco do Cats Club era dos mais concorridos, não só graças às “gatas” que dançavam sobre o palco, mas também devido à presença de Sá Leão (realizador de clássicos como «Eu, o meu Marido e Sá Leão», «Na minha cama com…», «Badalhocas, Engates de rua», «Capitã Roby» e «Stripper Portuguesa», entre tantos outros). Além deste palco, havia ainda espaço para o Delux Club, Photus Erotic Club e Passarelle, assim como o Life Club, sendo que em todos eles dançarinas exóticas e artistas de variedades se iam revezando numa azáfama assinalável.
Menção especial para o stand da agência Exotic Angels, onde além do casal português composto pela jovem actriz Erica Fontes e respectivo namorado, Angelo Ferro, estava a VIPS – de Very Important Porn Star – Silvia Saint. Referência da indústria europeia, para esta actriz checa o assédio por parte dos fãs portugueses era constante. Mais uma referência especial, neste caso para o palco do Labyrinto Club, espaço dedicado à comunidade LGBT, onde a beleza se misturava com a extravagância, numa mescla que não deixava ninguém indiferente. Menos animados estavam o espaço dedicado ao swing e o espaço fetiche, onde o ambiente bastante morno aquecia apenas com os poucos shows eróticos que aconteceram no primeiro e com a presença de uma dominatrix portuguesa no segundo. Já no Estúdio X, o público do Salão poderia ver ao vivo a gravação de um filme porno.
Mas não se pense que a festa se fez apenas a pensar no público masculino. O outro porta-voz do certame – para além de Sylvie Castro – Marko Sousa, assim como os restantes membros dos Beatboys (grupo de striptease masculino) fizeram as suas rotinas sempre acompanhados por um grande número de assistência feminina das mais diversas idades. Já com alguns anos de experiência, este colectivo de dançarinos animou as muitas mulheres que, ora acompanhadas, ora sozinhas, ora em grupo, se passeavam pelo recinto do Salão Erótico. A grande adesão do público feminino nos últimos anos valeu-lhe até um stand próprio, onde todos os temas de interesse das mulheres são tratados.
Quem não poderia deixar de estar presente neste evento eram as sex shops. Como que em saldos especiais, todas as lojas vendiam alguns dos seus produtos a preços especiais, porventura na tentativa de chamar a atenção de todos aqueles que durante o resto do ano, por falta de interesse ou apenas vergonha, não têm o hábito de entrar nestes espaços comerciais. Desde os produtos mais inovadores – tão inovadores que nem se percebe bem para o que servem – aos mais tradicionais, a oferta era vasta e foi bem aproveitada pelos cerca de 40 mil visitantes que marcaram presença ao longo dos três dias do evento.
Finalmente, assinalando o facto de a indústria do sexo não estar desligada do mundo real, de salientar ainda as exposições de arte dedicada ao sexo, mas sobretudo os stands dedicados à informação e prevenção da SIDA.
Em suma, esta VI edição do SIEL, embora longe de perfeita, encheu as medidas das muitas pessoas que se deslocaram à FIL, facto facilmente verificável não só pelos sorrisos de orelha a orelha de quem saía do recinto mas também por alguns vultos nas calças.
