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Poesia nas obras: Bill Murray Edition

Fez a sua carreira na televisão e no cinema, primeiro na fábrica de comediantes que é o Saturday Night Live e depois em clássicos como Caddyshack, Stripes, Ghost Busters e Groundhog Day.

Terminado este primeiro impulso como protagonista em diversas películas não muito distantes do universo muitas vezes screwball do Saturday Night Live, o mundo ficou a conhecer um Bill Murray diferente.

Não totalmente oposto, é certo, mas um Murray diferente. O sentido de humor continua a ser o mesmo, talvez um pouco mais subtil.

A aceitação dos cabelos brancos terá ajudado a criar e a consolidar a imagem de um actor com outras dimensões, uma evolução apoiada, lá está, no ressurgimento em personagens diferentes, frutos do imaginário de reis do pseudo-indie norte-americano como Wes Anderson primeiro e Jim Jarmusch ou Sofia Coppola depois.

Rushmore e The Royal Tenenbaums marcaram o nascimento do “novo” Bill Murray, coincidindo curiosamente com o início de um novo século, destacando-se ainda em Lost in Translation e Broken Flowers, para apenas mencionar dois exemplos.

Reinventado, Bill Murray atingiu um estatuto de ícone de culto, adorado tanto pelo grande público como pela juventude culturalmente activa, o que lhe permite mover-se facilmente entre grandes blockbusters e os filmes de menor dimensão.

Por entre sessões espontâneas como barman na edição de 2010 do festival SXSW e uma potencial e não confirmada incursão pelo mundo da música chillwave sob o cognome Chill Murray, o senhor tem ainda assim algum tempo livre.

Num determinado dia de 2009, para ocupar o tempo, Murray visitou a então em renovação Poets House, em Nova Iorque, para realizar aquela que seria a primeira sessão de leitura de poesia naquele espaço.

Nada de peculiar a assinalar à partida, numa situação que se altera rapidamente quando nos apercebemos que a audiência do actor é composta na totalidade pela equipa de trabalhadores de construção civil que trabalhava no espaço naquela altura.

São seis minutos e meio de perfeito nonsense poético que, não tendo a mínima razão de ser, mantém de forma perfeita o mencionado estatuto de figura de culto do grande Bill Murray.

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Apreciador de música, cinema, livros. A bem dizer, apreciador de tudo um pouco. Co-criador e editor do projecto ilícito[mag]. Para mais sobre este indivíduo, visitem http://flavors.me/bmcn.

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