
Tiago Guillul "suportado" Reininho na música «Nabucodonosor»
À partida muitos eram os aliciantes a marcar na apresentação ao vivo do álbum «V», que Tiago Guillul lançou no passado mês de Maio. Num trabalho onde a crítica foi praticamente unânime a reconhecer a sua qualidade, existia a expectativa pela forma como Guillul o iria executar em formato concerto.
O mote projectava uma batalha musical promovendo o palco, literalmente, a um ringue de combate no átrio desportivo do Ateneu de Lisboa. A Guillul “opuseram-se” nomes que com ele colaboraram, ao longo da sua carreira musical, tais como Samuel Úria, João Coração, Joaquim Albergaria, Manuel Fúria ou Rui Reininho, num concerto onde a luta deu lugar um encontro de amigos.
E desde logo o Ateneu de Lisboa se transformou num autêntico “Coliseu da Flor Caveira”, como Guillul fez questão de apelidar, relembrando as saudades dos tempos em que os concertos eram dados em recintos desportivos com todos problemas acústicos daí resultantes. E a verdade é que, tanto no álbum como no concerto, Guillul sabe aproveitar todas estas imperfeições nostálgicas de forma a recriar uma sonoridade que, apesar de actual, remonta muito ao imaginário dos anos 80 e 90 onde “não são necessários instrumentos afinados para dar grandes concertos” – como terá dito às tantas.

A finalizar, com todos os intervenientes do concerto em palco ao som de «Tu beijas como uma freira»
Numa noite que abriu com sonoridades mais próximas do hip-hop, com «Canção para Doutor Soares», o “roque-enrole” acabaria por surgir com toda a imponência em músicas como «Nabucodonosor», o “rodado” «São Sete Voltas Para a Muralha Cair» e, a fechar, «Tu beijas como uma freira» com todos os convidados em palco num momento onde a loucura teve tanto de extremo como de saudável e onde até houve espaço para o clássico crowd surf.
No seu próprio Coliseu, Tiago Guillul soube sempre cativar o seu público – que ultrapassava a centena de pessoas – quer pelo carisma de estrela de “roque” bem comportada quer pelas músicas de letra simples e orelhuda, cheias de referências sonoras da infância e adolescência daqueles que fizeram questão de marcar presença.
