É assim, Sagres. Há a fortaleza, praias de águas não muito cálidas, ondas. E há um festival, também. Um mini-festival de dois dias que, depois do Sudoeste, funciona como a última paragem festivaleira do Verão. O festival – que até é patrocinado por uma marca de cerveja concorrente de outra com o mesmo nome da vila -, tem o seu target bem definido: surfistas, veraneantes e festivaleiros profissionais que, em trânsito depois do Sudoeste, não se importam nada de fazer mais uma paragem para (mais) dois dias de música e farra num ambiente de boas vibrações.
E o que querem os festivaleiros, depois do Sudoeste, num dos spots mais emblemáticos do surf nacional? A tradição de cinco anos de festival responde: reggae. Isso explica-se facilmente, se convirmos que pelo público, as bandeiras da Jamaica pululam como o cheiro a substâncias ilícitas. E aí, claro, o cartaz começou por corresponder. Anthony B., Alborosie, Soja,Freddy Locks e Mercado Negro eram boas apostas – e provaram-no, no palco do Super Bock Surf Fest.
Enquanto Freddy Locks e Mercado Negro deram mostras de vitalidade do reggae nacional, animando e puxando pelo público, Soja, Anthony B. e Alborosie também puxaram galões de bandas internacionais.
O povo queria reggae. E é por isso que há risco no cartaz do Surf Fest. É certo que os supostos territórios do Surf Fest têm sido afrontados com bons (excelentes) resultados em edições anteriores: Emir Kusturica & No Smoking Orquestra ou Massive Atack não se fizeram rogados e partiram a loiça toda no festival dedicado ao reggae. E ainda na edição do ano passado, Nouvelle Vague deram um concerto de início de noite de extraordinária empatia (e até de alguma sensualidade, se é que isso é possível num recinto de festival como o do Surf Fest) com o público.
Este ano, porém, David Fonseca – um dos mais importantes nomes da pop nacional e daqueles que já não deixar indiferente qualquer plateia – não deixou de ser um corpo estranho, tal como Vanessa da Mata (e esta última, não por falta de esforço). A brasileira tentou, mas não deu. Agradeceu o apoio de um público que, “provavelmente, não conhece muito bem o [seu] trabalho”. E deu um pezinho de dança. Mas foi das poucas. Durante o concerto – e excepto durante as duas canções conhecidas do público pela rádio (“Não me deixe só” e “Boa sorte – Good luck”) – havia quem se queixasse de sono… No final, ainda deu para um encore que o público não pediu. Consequência: “Ainda mais?”, perguntou-se.
Artigos Relacionados:
Sobre o autor: Subscrever Artigos deste autor
Nome: Pedro F. Guerreiro
Número de Artigos: 26
Jornalista. Amante de literatura, política, cinema, música, desporto e senhoras. Seguir, aqui: http://objectoquase.blogspot.com

