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A alma do Funk à solta no Cais do Sodré

Temos assistido nos últimos anos ao renascimento da música negra da década de 70, com particular destaque na soul e funk, estilos eternizados nas vozes de artistas como James BrownRoy Ayers, Curtis Mayfield ou Marvin Gaye.

Em 2010 álbuns como «Wake UP», resultado da parceria dos The Roots com John Legend, ou «Good Things» de Aloe Blacc foram talvez, a nível internacional o auge desta nova corrente revivalista. Em Portugal são nomes como os de NBC, Marta Ren, New Max ou de bandas como Cool Hipnoise ou Cacique 97 que vão mantendo bem vivo este movimento.

Em paralelo a estes projectos foi nascendo e amadurecendo nas ruas de Lisboa uma banda que promete dar que falar neste ano de 2011. Permanecendo até aos dias de hoje quase como que um dos segredos melhor guardados de Lisboa, os Cais do Sodré Funk Connection têm agendado para o dia 5 de Março deste ano o lançamento do seu primeiro single, em formato vinil. Conjunto residente do Music Box, a banda deu o primeiro concerto de 2011 no passado sábado numa casa repleta de pessoas prontas a ser contagiadas pelo espírito soul/funk.

Através da recriação dos clássicos dos mestres ,de editoras como a Mowtown ou Stax, com oito músicos vestidos a preceito, os Cais Sodré Funk Connection apresentam na sua formação caras conhecidas de todos por projectos como Cool Hipnoise , Cacique 97, Groove 4tt, Mr Lizard, Spaceboys ou Orelha Negra. Comandados pela voz soulful e doce de Tamin e pela irreverência e energia de Silk, a alma da música negra encheu cada espaço e mente dos presentes que respondiam ora dançando livremente ora gritando as palavras da ordem “yeah Yeah”, “baby babie” ou “soul power”, porque a noite era de funk’n'roll puro e cru.

Dos gemidos graves e rasgados de Silk à interacção insinuante entre os vocalistas e público, passando pelos membros do público que dançavam sem qualquer tipo de complexos e terminando na competência de execução com que os músicos interpretavam clássicos intemporais, o Music Box transformou-se por instantes no epicentro da cena funk/soul global para regalo dos presentes.

No final, após cerca de uma hora e meia sem parar, fica uma certeza: Assistir a um concerto dos Cais do Sodré Funk Connection vai mais além do que assistir a um simples concerto de música. Trata-se de uma experiência libertadora, como aliás ditam os ensinamentos da funk e soul. Fosse este um daqueles artigos de antecipação que enumerasse o que não perder neste ano, no topo da lista estaria certamente esta banda, assim como a oportunidade de os ver ao vivo.

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Software Engineer @ Movensis com mestrado em Sistemas de Informação Empresariais no Instituto Superior Técnico. Fascinado por fotografia, música, cinema e bem...por tudo o que se escreve por aqui. Fundador e editor do ilícito[mag] Mais aqui

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