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A alquimia musical de wait what

Em cerca de dez meses, as onze faixas que compõem «the notorious xx» foram ouvidas umas estonteantes 650 mil vezes, isto se apenas contabilizarmos os números presentes na SoundCloud.

De um lado os The xx,  uma das bandas que mais deu de falar em 2009, por entre o lançamento do álbum homónimo e do toque pessoal apresentado em diversos remixes alheios. Do outro, Notorious B.I.G., figura histórica e um dos principais impulsionadores do hip-hop a quem a morte levou cedo demais. A uni-los, a arte do mashup.

O corte e a costura, esses estiveram a cargo de wait what, DJ de 24 anos radicado em São Francisco, nos Estados Unidos. Como estreia no mundo da música, decidiu pegar na música de duas dois dos seus artistas favoritos e misturá-la, depois de se aperceber que o plano de comprar dois iPods e ouvir de um lado The xx e do outro Biggie Smalls não ia ser positivo para as suas finanças.

Editado a 25 de Março de 2010 «the notorious xx» teve um impacto suficiente para que o alquimista em questão continuasse a sua linha de produção musical, apresentando poucos meses depois, a 31 de Agosto, uma não-sequela.

«this is real life» não atingiu os mesmos níveis de sucesso que o trabalho de estreia, mas se há alguma coisa que os 172 mil plays presentes na Soundcloud para este segundo disco de mashups indiciam, é de que wait what não é um “one hit wonder”, possuindo qualidades que podem fazer dele um nome reconhecido na produção musical, como aconteceu com outros.

Em 2004, por exemplo, um então desconhecido Danger Mouse dedicou a sua mestria e tempo a emparelhar de forma quase perfeita a música do «White Album» dos Beatles com a voz de Jay-Z presente no «The Black Album». Criado à margem da lei, «The Grey Album» teve vida curta nas lojas da especialidade, facto que não impediu a sua sobrevivência online e uma maior visibilidade para a técnica de mashup, assim como um reconhecimento das suas capacidades, que o tornam um dos melhores produtores da actualidade e criador de hits como «Crazy».

wait what, tal como Danger Mouse ou Gregg Gillis a.k.a Girl Talk são um género de criadores musicais diferentes do habitual. As músicas originais que servem de base aos seus trabalhos podem não lhes pertencer mas, tal como acontece em algumas áreas artísticas, a reutilização e atribuição de uma nova interpretação ao trabalho original é o que importa, constituindo igualmente um elemento importante na criação e exploração artística, e neste caso, musical.

O ilícito falou com wait what no sentido de compreender as motivações por detrás das suas criações, as várias etapas do processo criativo envolvendo um mashup e o tipo de recepção que teve por parte dos artistas que viram as suas obras reinterpretadas.

Descobrimos ainda o que o levou a doar os lucros provenientes de «this is real life» a uma instituição social, o que anda a ouvir e como se o seu futuro passará pela criação musical a tempo inteiro.

ilícito: Como é que entraste no mundo dos mashups? O que te fez decidir que era na música que estava o teu futuro?

Eu sempre adorei música, e passei por diversas fases em que apreciava muitos géneros diferentes. Fui estudar para a Universidade de Columbia, em Nova Iorque, e foi lá que comecei a produzir hip-hop, ao mesmo tempo que ouvia muito indie rock, pelo que decidi começar a expandir as barreiras dos géneros e combinar elementos de ambos. Recebi um bom feedback por parte de amigos, pelo que decidi criar mesmo um álbum inteiro misturando dois artistas diferentes, e foi assim que surgiu o meu primeiro disco, «the notorious xx». Sou um grande fã de música, pelo que poder criá-la e ter pessoas a ouvir a minha música é para mim um bónus tremendo.

ilícito: De perfeito desconhecido passaste, com «the notorious xx» a ver o teu nome reconhecido por milhares de pessoas e ser mencionado em jornais de referência. Deves ter expectativas elevadas para este segundo trabalho. Quais as tuas metas?

Tento não pensar muito nas expectativas dos outros, preferindo concentrar-me em fazer música que eu goste e que me faça sentir orgulhoso, mas é verdade que a edição do primeiro disco é diferente da do segundo. «the notorious xx» foi para mim um exemplo perfeito de as pessoas certas terem visto o disco certo no momento certo, e tendo em conta que todos estes elementos se juntaram, quis utilizar essa atenção para deixar uma impressão duradoura. A tendência seria utilizar essa atenção exterior para poder beneficiar na oportunidade seguinte, mas era importante para mim usá-la para algo diferente, e é por isso que «this is real life» foi editado em regime de “pagas o que quiseres” em benefício da programa 826 Valencia.

ilícito: Para além de ser um conceito geral diferente do presente em «the notorious xx», o que mudou para ti no processo de criação de «this is real life»?

Como «this is real life» não estava confinado ao conceito de um único disco, na realidade criei muitas demos e fui escolhendo aquelas que melhor reflectiam o espírito do projecto. Na fase inicial confesso que me senti algo assoberbado por não ter uma estrutura que delimitasse o projecto em si, mas na realidade isso permitiu-me experimentar com diversos elementos e pôr em prática ideias que já tinha pensado há algum tempo. Significou também que se tornou mais difícil decidir quando o álbum estava finalizado – parecia que estava sempre a adicionar ou a retirar faixas, pelo que decidi marcar uma data e trabalhar arduamente até ao prazo final, decidindo que qualquer que fosse a forma do disco nesse dia, essa seria a versão final. Se não tivesse definido essa data limite, ainda estaria a trabalhar no álbum.

ilícito: Como já mencionaste, «this is real life» foi disponibilizado através do modelo “pay what you want”, com o dinheiro a reverter na totalidade para caridade. Sentes que desta forma, para além de ajudar outras pessoas, consegues saber de forma mais directa o quão valorizado é o teu trabalho?

Essa é uma boa pergunta. Tentei abordar essa questão do ponto de vista de que acredito que existe um valor que as pessoas estão dispostas a pagar pela música que estava a fazer, e queria dar-lhes simultaneamente a oportunidade de contribuir com esse valor para uma boa causa. Pode haver um nível de valorização maior pelas pessoas como efeito secundário dessa situação, mas, a ser assim, é apenas acessória ao objectivo de aumentar a sensibilização e angariar dinheiro para uma boa causa.

ilícito: Por que decidiste escolher a organização 826 Valencia, que se dedica a apoiar os estudantes a desenvolver as suas capacidades e escrita?

A educação é muito importante para mim, é algo que me deu muitas oportunidades na vida. Apercebendo-me de que nem todas as pessoas se podem dar a esse luxo, e vendo quão importante pode ser o papel de um bom professor, quis que mais crianças tivessem as mesmas oportunidades que eu.

Em Columbia os meus ramos principais eram Inglês e Psicologia, e descobri muito sobre música apenas como resultado de estar a viver em Nova Iorque, por isso fez sentido que utilizasse esta pequena plataforma que a música me deu para aumentar a visibilidade de algo tão importante para mim como esta instituição.

ilícito: Em «the notorious xx», “limitaste-te” a trabalhar com apenas dois artistas, mas em «this is real life» preferiste misturar músicas diferentes de uma séries de pessoas diferentes. Criativamente, em qual das situação te sentiste mais desafiado?

Penso que foram dois desafios diferentes. «the notorious xx» foi difícil de produzir, porque, por exemplo, chegava a um ponto em que a música «Fantasy» não tem batida, e eu estou a tentar descobrir como é que ela poderá vir a trabalhar com uma faixa do Biggie. Ou então estava a misturar a faixa «Shelter», e esta música tem qualquer coisa como 65 bpm (batidas por minuto), e soa estranha se duplicares para 130, mas a 65 mal consegues ouvir as palavras do Biggie, porque são demasiado lentas, pelo que misturar entre as duas para que os refrões não se tornem nem hiperactivos, nem demasiado suaves para as letras de «Everyday Struggle» foi um grande desafio.

Tendo em conta que existia uma estrutura pré-definida, encontrei maiores barreiras na produção de «the notorious xx», o que também fez com que tivesse que encontrar soluções bem mais criativas para solucionar esses problemas.

No segundo disco, «this is real life», não tinha barreiras quase nenhumas, pelo que o desafio era muitas vezes decidir o que acrescentar ao mix – podia basicamente escolher o que quisesse, embora essa abundância de escolha fosse também uma barreira em si. Isto significava também que era difícil saber quando o trabalho estava terminado, porque a única restrição era estar limitado a 80 minutos – a duração máxima de um CD. No final, acabei por criar uma série de demos, as quais tinha posteriormente que juntar, para que possuíssem alguma forma de coesão entre si. Obviamente, como mixtape que é, é muito menos coesa que «the notorious xx», mas esse factor tornou ainda assim mais difícil a sua criação.

ilícito: A indústria musical parece insistir na ideia de que a internet é o maior inimigo da música. Tendo criado um álbum que mistura dois artistas e tendo-o partilhado com toda a comunidade online, como vês todas as implicações legais associadas a esta situação? Para além disso, sentes que podes ter apresentado os The xx e o Biggie a muitas pessoas através do «the notorious xx»? Esta ideia estava presente nas tuas intenções iniciais?

Acredito que a indústria musical é bastante míope, e eu diria que é difícil discordar dessa ideia se olhares para a forma em que eles se têm comportado na última década. Penso que a certa altura a lógica tem que tomar as rédeas do negócio – é suposto que a lei reflicta a ética colectiva de uma sociedade – e ainda estou para ver qualquer tipo de indicação que sugira que os mashups estão a retirar algum tipo de mérito aos artistas. Como mencionaram, acredito que os mashups funcionam como porta de entrada para que as pessoas descubram novos artistas. Recebo notas diariamente de pessoas que me dizem que não gostavam de hip hop, mas que depois de ouvirem o meu disco, acabaram mesmo por comprar o disco «Ready to Die», ou então nunca tinham ouvido falar dos the xx e acabaram por comprar o seu disco. Estou muito contente por ter apresentado música de qualidade a muita gente, e tem sido agradável ouvir as suas histórias.

ilícito: Recebeste algum tipo de reacção dos the xx em relação ao disco?

Sim, eles falaram sobre o disco em diversas entrevistas, e têm tido uma resposta bastante positiva, o que foi espectacular – se eles não tivessem gostado, teria repensado o que tinha feito quando criei uma reinterpretação do álbum deles. Saber que a banda tinha achado o disco porreiro foi um dos melhores reconhecimentos que poderia ter recebido.

ilícito: «this is real life» foi apenas o teu segundo disco, embora já demonstres um nível de produção acima da média. Daquilo que sabemos, criar música é ainda apenas um hobby para ti. Pretendes evoluir no caminho para o profissionalismo?

Muito obrigado, fico agradecido. Neste momento estou envolvido em muitas coisas. Estou a tirar um MBA na Stanford Business School, o que pode fazer com que se torne difícil marcar espectáculos durante os dias de semana em Nova Iorque ou internacionalmente, mas ainda assim, esta situação já me permitiu viajar, conhecer e tocar em alguns sítios muitos porreiros. Seria fantástico se conseguisse estar na música a tempo inteiro, mas tendo em conta a situação actual, acho que faz mais sentido continuar a produzir música em part-time e dar o maior número de espectáculos que conseguir.

ilícito: Para os leigos no mundo da criação musical, criar um mashup não parece ser tarefa fácil. Quais são as principais barreiras no processo criativo? Quais são os passos principais que tens que percorrer no sentido de criares uma faixa final que seja do teu agrado?

Quando falamos de mashups, temos que ter em conta que a sua criação tem diferentes níveis de dificuldade, mas eu acho que é difícil criar um mashup original, criativo e convincente que as pessoas apreciam a nível artístico.

Em termos logísticos, precisas de uma faixa “a cappella” para a parte vocal – sem ela os vocais não soarão bem e entrarão em conflito com o beat original, o que acabará por não soar a grande coisa. Para o instrumental, precisas de editar os teus próprios loops de forma limpa, e isso implica encontrar os momentos de corte ideais ou cortar das próprias faixas originais, das intros, outros ou das pequenas secções de instrumentais.

Para que uma faixa seja do meu agrado, normalmente preciso de lhe dar toda a minha atenção durante dois dias, certificar-me que ela apresenta efectivamente algum aspecto novo da música, e só então a faço passar pelo escrutínio de um pequeno grupo de amigos, para receber as suas reacções.

ilícito: Em ambos os teus álbuns, o hip hop é o género musical mais representado. É justo dizer-se que é o teu género favorito? Que tipo de música ouves quantos não estás a trabalhar, e já agora, quais os estilos musicais que gostarias de aglutinar no futuro?

Acho que é justo dizer-se isso, mas eu ouço uma considerável variedade de género musicais – de tudo deste post-rock islandês a pop country, tento ouvir a música de diversos artistas sem noções pré-concebidas sobre quem são, ou mais importante, quem gosta da sua música.

No futuro adoraria criar mashups de música electrónica, ou mesmo algumas coisas minimalistas com hip-hop introvertido. Gosto mesmo muito de hip-hop underground, como Aesop Rock, Cage, Atmosphere – mas muitas vezes estes artistas não editam versões “a cappela”, o que torna difícil a sua incorporação num mashup.

ilícito: Há algum artista do qual não te atrevas a criar um remix ou a samplar?

Que me lembre, não. Na maior parte das vezes, uso samples de artistas que gosto, pelo que não vejo isso como uma forma de desrespeito. Se um artista me contactasse e dissesse que não gostava que eu reinterpretasse a sua arte, nesse caso eu daria um passo atrás e reavaliava o que estava a fazer em determinada faixa.

ilícito: Não existem muitos artistas a criar álbuns de mashup com qualidade, como foi o teu caso no «the notorious xx». Historicamente, aqueles que mais se destacam são o «The Grey Album», de Danger Mouse e «Night Ripper» and «Feed the Animals», de Girl Talk. Estes álbuns foram algum tipo de inspiração para ti ou procuras por inspiração noutros sítios?

Obrigado. Eu gostei realmente desses discos, assim como do «Jaydiohead», de Max Tannone, porque abriram caminho no sentido de legitimar o género. Têm sido de facto uma inspiração, embora também tenha sido inspirado por diferentes tipos de arte: hip hop, literatura, fotografia – pessoas que conheço e conversas que tenho. Tenho tido muita sorte por estar rodeado de pessoas muito inteligentes e criativas que são provavelmente a minha principal inspiração. São elas que me empurram e me inspiram constantemente.

ilícito: Actualmente já tens uma forte presença online, mas ninguém sabe ao certo quem é o wait what na “vida real”. Faz parte dos teus planos revelar a tua identidade no futuro?

Ha ha, este facto não é tanto uma escolha como parece ser o facto de esses dados não serem de interesse para mim ou para as outras pessoas. Estou sempre entusiasmado por conhecer pessoas novas e falar com elas nos espectáculos. Felizmente não tenho um nível de celebridade em que alguma vez tenha sentido a obrigatoriedade de salvaguardar a minha privacidade. Chamo-me Charlie, vivo nos arredores de São Francisco e actualizo regularmente o meu Twitter (twitter.com/wtwht) e Facebook (facebook.com/waitwhatmusic), para todos os interessados.

ilícito: No press release, referes que “Em vez de partir em tournée ou ficar enredado no hype, se és o wait what, começas a trabalhar no álbum seguinte – imediatamente». Recebeste alguns convites para uma tour? Se sim, porque escolheste ficar longe dos holofotes?

Sim, de facto surgiram algumas tournées e espectáculos, mas eu não queria seguir por esse caminho. Tinha um disco, qualquer coisa como 40 minutos de música, e não me sentia muito justificado a fazer uma tour exclusivamente baseada nele. Para além disso, queria fazer mais música e usar essa pequena plataforma para criar algo maior que apenas a música, para que o ímpeto por trás de «this is real life» fosse um concerto de beneficência para a 826 Valencia.

ilícito: Para além do teu próprio trabalho, o que tens andado a ouvir? Já agora, tens algum tipo de recomendações culturais para os nossos leitores?

Tenho andado a ouvir muita coisa nova. Em relação ao hip hop, o novo álbum do Kid Cudi, as faixas Good Friday do Kanye, o novo EP do K.Flay e a belíssima mixtape do meu amigo Hoodie Allen, intitulada «Pep Rally». Tenho também andado a ouvir ao novo disco dos Stars e muita coisa antiga dos Sigur Rós.

Em relação a recomendações, «A Insustentável Leveza do Ser» é um dos meus livros favoritos, e que recomendo de forma veemente a quem ainda não o leu. Em relação a filmes, dois dos meus favoritos são «Beleza Americana» e «Closer», duas películas imperdíveis.

ilícito: Finalmente, o que podem os fãs esperar do wait what no futuro próximo?

O último disco acabou de sair em Setembro, pelo que só agora estou a começar a explorar ideias para novas músicas. Estou a tentar marcar alguns espectáculos para esta primavera, por isso prevejo tocar muito ao vivo. Se alguém estiver interessado em marcar alguma coisa, apesar do calendário estar a encher rapidamente, falem comigo através do email booking@waitwhatmusic.com. Entretanto tenho estado também a criar tshirts e posters que irei vender no meu site (waitwhatmusic.com). Entretanto, vou actualizando a minha página no Facebook (facebook.com/waitwhatmusic). Estou ansioso por tocar e criar mais música, assim como tocar em alguns espectáculos internacionalmente.

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the notorious xx by wait what

this is real life by wait what

Site de wait what – http://www.waitwhatmusic.com/

SoundCloud de de wait what – http://soundcloud.com/wait-what

Bandcamp de wait what – http://waitwhat.bandcamp.com/

Myspace de wait what – http://www.myspace.com/waitwhatmusic

Facebook de wait whathttp://facebook.com/waitwhatmusic

Twitter de wait what - https://twitter.com/#!/wtwht

Last.fm de wait what – http://www.last.fm/music/Wait+What

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Apreciador de música, cinema, livros. A bem dizer, apreciador de tudo um pouco. Co-criador e editor do projecto ilícito[mag]. Para mais sobre este indivíduo, visitem http://flavors.me/bmcn.

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Software Engineer @ Movensis com mestrado em Sistemas de Informação Empresariais no Instituto Superior Técnico. Fascinado por fotografia, música, cinema e bem...por tudo o que se escreve por aqui. Fundador e editor do ilícito[mag] Mais aqui

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