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A noite intimista dos Expensive Soul no Cinema São Jorge

Após o lançamento de «Utopia» em 2010 e de percorrerem o país com múltiplos concertos, os Expensive Soul decidiram apresentar-se neste ano de 2011 num arriscado formato acústico, com datas para Lisboa (Cinema São Jorge) e Porto (Casa da Música). A este desafio Lisboa respondeu com expectativa, esgotando com alguma antecedência a principal sala do Cinema São Jorge, elevando desta forma a barreira para aquilo que a banda natural da Leça de Palmeira poderia vir a oferecer.

Com um palco composto por uma parafernália de instrumentos, os Expensive Soul apresentaram-se acompanhados por dez músicos – onde havia espaço para uma bateria, piano, violino, baixo, percursão variada e até uma arpa – e pelo habitual coro a três vozes.

Mais do que um concerto de promoção do seu último álbum, os Expensive Soul fizeram deste formato “intimista”  uma celebração do seu percurso musical, passeando por todos os singles desde «B.I.», lançado em 2004, até aos mais recentes e que em boa parte compuseram parte da banda sonora de Verão do nosso país. E certo é que, enquanto projecto, os Expensive Soul apresentam actualmente uma maior maturidade artística naquilo que produzem, e se «Utopia» já era prova disso – deixando os outros dois registos a anos de luz, em termos qualitativos – o concerto do São Jorge foi talvez o culminar dessa certeza.

E se haveria risco na passagem de «Utopia» para formato puramente acústico, a verdade é que desde cedo a aposta se mostrou ganha, com músicas como «Sara», «Tem calma contigo», «Dou-te Nada» ou o primeiro single «O Amor é Mágico» a merecerem destaque pelo arranjo que tiveram. Funk, soul e r&b, e até com rasgos de hip-hop, compuseram uma noite em que houve ainda espaço para devaneios pelo jazz e pelo blues em formato jam session, com a presença de Rui Veloso em palco – um dos convidados e protagonista de outro dos momentos altos da noite – numa primeira música servindo de base com a sua harmónica e colaborando, de seguida, com New Max numa interpretação de «Porto Sentido» que fez vibrar uma sala onde já nem as cadeiras prendiam quem por lá andava.

E se Rui Veloso ajudou a dar brilho à noite dos Expensive Soul, a verdade é que Kika Santos, outra das convidadas da noite, não ficou atrás. Conhecida pelo seu percurso a solo e enquanto membro dos Black Company,  interpretou juntamente com a dupla de Leça a «Sinfonia do Amor», para de seguida voltar ao repertório dos Expensive Soul colaborando em «Eu Não Sei».

E se algumas dúvidas existiam à partida para este concerto, a verdade é que a aposta terá sido largamente ganha, num espectáculo maduro e construído com toda a competência por uma banda que se mostra cade vez mais merecedora da atenção de um público mais adulto, deixando de parte o selo “teenager” que lhes foi colocado no início da carreira.

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Software Engineer @ Movensis com mestrado em Sistemas de Informação Empresariais no Instituto Superior Técnico. Fascinado por fotografia, música, cinema e bem...por tudo o que se escreve por aqui. Fundador e editor do ilícito[mag] Mais aqui

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