Foram uma das, senão a banda revelação de Portugal em 2010. Editaram em Abril desse ano o disco homónimo de estreia e desde logo marcaram a sua posição como um dos mais fortes colectivos da música contemporânea nacional.
Misturando influências, do jazz ao hip hop, sem menosprezar a soul ou o funk, os Orelha Negra são Cruz, Ferrano, Gomes Prodigy, Mira Professional, e Rebelo Jazz Bass, cinco personagens distintas que com um MPC, um par de gira-discos Technics, uma bateria, teclados e guitarra baixo se juntaram para criar uma super-banda para quem Portugal deverá ser, havendo justiça, demasiado pequeno nos próximos tempos.
Agora, quase um ano depois de terem lançado o disco de estreia, depois de uma série de concertos ao vivo um pouco por todo o país, depois do reconhecimento da crítica e dos fãs nacionais e alguns estrangeiros, os Orelha Negra editam uma mixtape.
Funcionando na prática como uma extensão de «Orelha Negra», esta mixtape homónima é composta por 15 faixas, compreendendo diversas versões das músicas apresentadas no álbum e algumas faixas remisturadas, sendo que o ponto comum entre todas elas passa pela participação de artistas alheios ao trabalho original, mas que aqui dão uma segunda vida a sons como «M.I.R.I.A.M.», «Blessed» ou «A Memória».
A acompanhar o lançamento gratuito da mixtape, o ilícito foi saber se a banda que cria tão distintos sons ainda é a mesma que se apresentou ao público nos primeiros meses do ano passado. Pelo caminho ficámos ainda a saber como surgiu ao certo esta sequela musical e o impacto da colaboração artística realizada com Vhils.
Respondendo à primeira dúvida que tínhamos, os Orelha não se mostraram decisivamente alterados no último ano, considerando que “na verdade não existem muitas diferenças, apenas uma alegria grande de termos sido bem recebidos e termos tido oportunidade de ter tocado em palcos tão bons, mas agora com mais vontade de trabalhar e fazer coisas novas”, indicando claramente que a fome de inovar e surpreender continua no âmago dos Orelha Negra.
Surpreendendo tudo e todos com um registo de estreia completamente instrumental, em que a voz era apenas um elemento acessório, utilizados a espaços na forma de samples ou scratches, nesta mixtape a voz ganha uma nova dimensão, ficando em pé de igualdade com os instrumentais. A ideia para esta edição, essa parece ter surgido tanto pela vontade da banda como pela intervenção de alguns colaboradores: “As mixtapes são uma cena bastante utilizada, mesmo que de outra forma, no hip hop. Nós sempre curtimos receber as nossas músicas cantadas por pessoal e ao longo do ano fomos recebendo algumas cenas, pelo que surgiu a ideia de fazer a mixtape mas um pouco ao contrário do modo que seria habitual, porque dávamos as musicas e o pessoal cantava, e assim foi. Foi um trabalho um pouco longo, mas foi óptimo porque recebemos imensas coisas, o que fez com que infelizmente houvesse músicas que tiveram de ficar de fora desta vez, mas se calhar qualquer dia ainda editamos o Vol. 2”.
Orlando Santos, Nerve, NBC, Lúcia Moniz, DJ Riot, Mind da Gap, Tiago Bettencourt e Valete são apenas alguns dos nomes presentes neste conjunto de colaborações, num processo de convites que se revelou bastante fácil: “fomos falando entre nós e falando com pessoal amigo que curtíamos e que achávamos que podia dar um bom contributo. No fundo está tudo em família ali também”, assinalam os Orelha.
Em antevisão do lançamento desta mixtape, os Orelha Negra apresentaram ainda uma colaboração realizada com o artista urbano Vhils, numa relação complementar que parece ter começado há largos meses. “Esta relação surgiu no ano passado, quando o convidámos para vir connosco ao (Festival) Sudoeste, em que ele fez um trabalho espectacular. Aliás, até foi ele que falou nesta ideia do videoclip, que foi um processo que demorou alguns meses, mas o resultado final deixou-nos muito contentes, para além de que temos tido grande feedback de todo o lado, agora que o vídeo saiu”.
Apresentando diversos exemplos da explosiva arte de criação de imagens ao som de «M.I.R.I.A.M.», tanto a banda como o artista conseguiram um produto final que é exemplo perfeito da inovação criativa que flui nas mentes artísticas nacionais do século XXI.
Este não é, no entanto, o primeiro contacto dos Orelha com o mundo da imagem criativa. Presente desde o início do projecto através da utilização do sleeveface na apresentação da banda, esta colaboração com Vhils permite-lhes atingir um universo mais alargado de apreciadores da sua música. “Temos visto na net o vídeo em sites de arte urbana e design, entre outros, um pouco por todo o mundo, sítios aos quais dificilmente chegaríamos. Todos os dias temos recebido emails um pouco de todo o lado a dar os parabéns pelo trabalho do Vhils e pela música, dos Estados Unidos até França. Tem corrido mesmo bem. Em cinco dias o vídeo teve 153 mil views e todos os dias o número aumenta bastante, pelo que o importante para nós é mesmo a música chegar mais longe e neste caso em conjunto com o trabalho magnífico do Vhils”.
A juntar à edição da mixtape e à já confirmada presença no cartaz do Optimus Alive! 2011, os Orelha Negra irão ainda subir ao palco do Pavilhão Atlântico no dia 14 de Abril como uma das bandas de abertura para o concerto de Nas & Damian Marley. Sobre o concerto dessa noite, optam por não revelar muito, assinalando no entanto que “vai ser um noite bem divertida”. “Andamos a pensar numas coisas novas para fazer lá, mas ainda não podemos adiantar muito. Surpresas não vão faltar de certeza”, asseguram.
Sobre o futuro, as opções dos Orelha Negra parecem estar completamente em aberto: “Neste momento acaba de sair a mixtape, e vamos continuar a promover o nosso álbum. Temos vários concertos marcados e vamos por isso andar por aí a tocar. Talvez lá mais para a frente se comece a pensar também num disco novo”.
Para terem acesso à Mixtape dos Orelha Negra basta Gostarem da página no Facebook da TimeOut. Por agora fiquem com o vídeo da colaboração com o Vhils e com a faixa «A Melhor Rima de Sempre», mais um exemplo da força lírica que é Valete. Façam também o favor de visitar o Facebook dos Orelha Negra.
Orelha Negra – «A Melhor Rima de Sempre (com Valete)»
Artigos Relacionados:
Sobre o autor: Subscrever Artigos deste autor
Nome: Bruno Nunes
Número de Artigos: 315
Apreciador de música, cinema, livros. A bem dizer, apreciador de tudo um pouco. Co-criador e editor do projecto ilícito[mag]. Para mais sobre este indivíduo, visitem http://flavors.me/bmcn.
Nome: Pedro Martins
Número de Artigos: 315
Software Engineer @ Movensis com mestrado em Sistemas de Informação Empresariais no Instituto Superior Técnico. Fascinado por fotografia, música, cinema e bem...por tudo o que se escreve por aqui.
Fundador e editor do ilícito[mag]
Mais aqui
