As três leis da robótica são:
- 1ª lei: Um robot não pode ferir um ser humano ou, por omissão, permitir que um ser humano sofra algum mal.
- 2ª lei: Um robot deve obedecer as ordens que lhe sejam dadas por seres humanos, excepto nos casos em que tais ordens contrariem a Primeira Lei.
- 3ª lei: Um robot deve proteger sua própria existência desde que tal protecção não entre em conflito com a Primeira ou a Segunda Lei.
Tendo em conta estas três simples leis criadas por Isaac Asimov, seria de esperar que o ser humano, criador das citadas máquinas, tivesse já previsto um qualquer procedimento que lhe permita abortar o funcionamento das mesmas quando as coisas começam a dar para o torto.
Num mundo que caminha a passos largos para um nível de automatização assinalável, não estamos assim tão longe do momento em que os robots assumirão um papel de maior destaque nas nossas vidas, do interior das nossas casas aos campos de batalha.
Em «Blinky™», curta-metragem realizada por Ruairi Robinson, é precisamente nesse universo que entramos. Um universo potencialmente paralelo, ou apenas num futuro não muito distante, em que a tecnologia existente permite que se comercializem robots e andróides para benefício dos seres humanos.
Ora a narrativa que seguimos em «Blinky™» conta a história de uma criança que ao ver o anúncio de um robot na TV descobre ali a sua prenda de natal para esse ano. Desempenhado por Max Records, que já havíamos visto em «Where the Wild Things Are», este jovem, que começa por mostrar todo o seu apreço por Blinky, rapidamente perde o interesse no seu novo “amigo”.
Movido por um sentimento de revolta relacionado com o crescente ponto de crispação da relação entre os seus pais, o jovem começa por alienar Blinky, acabando mesmo por humilhar e castigar a máquina pelas falhas humanas com que é confrontado na sua casa.
Acontece que o mau manuseamento e tratamento de Blinky acaba por ter consequências horríveis para a própria criança e para a sua família, quando este, por falha mecânica e influência indirecta humana quebra uma das regras de Asimov.
Com uma qualidade de produção acima da média, combinando de forma quase imperceptível os efeitos especiais e a realidade, este trabalho de Ruairi Robinson é um belo cartão de visita para o realizador, que contou ainda com a ajuda de Macgregor na direcção de fotografia e a música do islandês Ólafur Arnalds, num projecto fundado pelo Irish Film Board.
Artigos Relacionados:
Sobre o autor: Subscrever Artigos deste autor
Nome: Bruno Nunes
Número de Artigos: 315
Apreciador de música, cinema, livros. A bem dizer, apreciador de tudo um pouco. Co-criador e editor do projecto ilícito[mag]. Para mais sobre este indivíduo, visitem http://flavors.me/bmcn.

