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«Salvem o Mosh Pit»: Sangue, Suor e Música!

O escuro da sala é apenas interrompido pelo jogo de luzes que acompanha a música. O calor é intenso, seja Inverno, seja Verão. Tal situação deve-se ao facto de ser calor humano. A música é rápida e pesada e os corpos suados movimentam-se de forma caótica, tantas vezes em constante choque com outros ou até com as paredes das salas mais apertadas. Para quem está de fora, esta cena poder-se-ia muito bem confundir com uma qualquer luta de rua ou rixa que se tenha iniciado… Para todos os que já tiveram envolvidos ou costumam ir a concertos de música mais pesada, esta é no entanto uma realidade que lhes é bem conhecida: esta é a realidade de um “mosh pit”.

É exactamente sobre esta realidade que versa o mini-documentário «Salvem o Mosh Pit». Desenvolvido para um trabalho na EUAC – Escola Universitária das Artes de Coimbra em 2008 por João Mordido, Paulo Dias e Ricardo Costa, este documentário vai ao encontro de algumas pessoas que sabem bem o que é um mosh pit: do jornalista António Pires, a Ricardo Dias, vocalista da banda hardcore For The Glory, passando ainda por Fernando Ribeiro, vocalista dos Moonspell e António Melão, mais conhecido como Cameraman Metálico, entre outros.

Embora António Pires tente na sua intervenção aludir a um passado bem distante para recuperar a memória da origem dos mosh pits, a verdade é que grande parte dos que adoptam esta forma de dança nos concertos o fazem mais por instinto do que por qualquer outra razão antropológica que se possa tentar arranjar. Quer falemos do mosh dos concertos de rock e metal, com os seus encontrões e wall of deaths, do o pogo dancing no punk, ou do hardcore, com os seus two steps e o slam dancing, o único factor que talvez possamos considerar comum a todos é a vontade de extravasar toda a frustração acumulada durante a semana de trabalho.

A verdade é que apesar da aparente violência do mosh, não são conhecidos (pelo menos em Portugal) acidentes de maior (as imagens que antecederam o Benfica-Porto mostram-nos que é bem mais perigoso ir ver um jogo de futebol). Desde que haja respeito, pelo próprio e pelos restantes, fazer parte de um circle pit é uma experiência que se aconselha a todos, nem que seja pelo menos uma vez na vida.

Documentário Salvem o Mosh Pit from theMordius on Vimeo.

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