A sua ascensão enquanto lenda do hip-hop nacional não seguiu o caminho mais linear. Depois de um início pulverizado pela aptidão que tinha para improvisar e rimar em battles, Valete escolheu um caminho menos óbvio ao optar por se focar na sua carreira longe dos palcos. Talvez por isso, sem essa pressão, Valete tornou-se o rapper de álbuns, um rapper elogiado pela sua eloquência e consciência lírica, que conseguia agradar a um público mais generalizado ao qual até então o hip-hop não chegava. «Educação Visual» e «Serviço Público» foram assim o materializar da sua evolução enquanto artista, dois trabalhos que lhe valeram um reconhecimento que supera hoje o público alvo que inicialmente alcançava.
Essa insegurança fez-se de certa forma sentir no flow menos mordaz e um pouco mais lento do que aquele a rapper nos habitou ao longo do seu percurso criativo. Talvez por isso Valete contou com a participação especial de NBC, que interpretou «Segunda Pele», e Orlando Santos – com «Since you’ve been gone» retirada da Mixtape de Orelha Negra – apoios que acabaram por não ter o efeito desejado. Se no primeiro caso a atrapalhação com a versão da música a tocar por trás obrigou Valete a ter que interromper o som disfarçadamente, no caso de Orlando Santos o momento acabou por não ter grande chama, não resultando com o ambiente que se vivia.
Apesar disto, a noite viria ainda a ter os seus momentos, ou porque em determinadas faixas Valete ia ganhando confiança e soltando-se mais, ou porque o público manteve sempre o seu apoio entusiasta do início ao fim do concerto. Com «A melhor rima de Sempre» – som também da Mixtape dos Orelha Negra endereçado a Adamastor – fez-se sentir o primeiro momento da noite, que pelo meio teve ainda a participação de Valete na música «Não Pares», do mais recente álbum de Mind Da Gap. A apoteose, essa chegou finalmente com os primeiros versos de «Canal 115» e «Anti-Herói», músicas onde Valete mostrou todas as suas capacidades, com «Subúrbios» ainda a merecer uma nota de destaque, num concerto onde o rapper foi misturando registos de álbuns mais antigos assim como alguns sucessos recentes.
Para os momentos finais, numa espécie de encore, Valete reservou a música «Fim da Ditadura», um dos seus mais emblemáticos temas, para grande satisfação dos presentes. A opinião geral, essa só poderá ser positiva, especialmente se tivermos em conta o que este concerto representa acima de tudo: um Regresso.
Se em alguns momentos a atrapalhação tenha sido generalizada, talvez pela ânsia e pelo que este concerto representava, a verdade é que Valete conseguiu sempre manter uma relação muito positiva com o público, puxando por este constantemente e contribuindo para que fosse ganhando um maior conforto em cima do palco. É certo que, ao primeiro concerto, Valete não foi o monstro palco que a maioria das pessoas esperaria – dificilmente o seria se formos racionais – mas, mais importante que tudo isso, fica a vontade demonstrada e a certeza de que melhores concertos virão, porque como diz o ditado, “o primeiro milho é para os pardais”.



Texto: Pedro Martins
Fotografias da Autoria de Rafael Correia (Gijoe – Sickonce.com) e Natasha Cabral
Editadas por Rafael Correia (Gijoe – Sickonce.com)
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Software Engineer @ Movensis com mestrado em Sistemas de Informação Empresariais no Instituto Superior Técnico. Fascinado por fotografia, música, cinema e bem...por tudo o que se escreve por aqui.
Fundador e editor do ilícito[mag]
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DJ e Produtor de Hip-Hop / Streetmusic desde 1998 / 99, reside na cidade de Portimão Algarve. Licenciado em Arquitectura, abraçou a música como um escape que ganhou crescente importância.
Como freelancer, tem riscado discos por bares, festas e concertos por todo o país. Conta com uma vasta lista de participações em projectos no panorama do Hip-Hop nacional, em especial com o seu grupo DGPG. Dos trabalhos em que a arte deste DJ se fez ouvir, destacam-se Visão Periférica de Royalistick, Banda Sonora de Twism e ainda a compilação Beats & Rimas, selo Chocolate Bars.
Em Abril de 2005, foi o maestro da Mixtape Música de Palavra, que contou com a participação de 30 MCs algarvios entre os convidados.
No passado ano inscreveu o seu nome no scratch feito para Focus 360º, de Praso.
Lançou o álbum: Gijoe e Spell - Duelo Mental, gravado nos estúdios Kimahera.
No fim de Novembro de 2007 Gijoe apresenta: Evolusom - a Mixtape.
Participou ainda na compilação James Brown-The King Of Soul como produtor, bem como na compilação - Vamos dar ouvidos - em que a sua faixa "O inevitável FADO do povo" foi escolhido para Single.
Calendário Sickonce dois mil e oito para download em www.kimahera.com.
Em 2008 Lança a mixtape de Kahestiga, Spell e aparece ao lado de Reflect no seu álbum "Último acto" como produtor e Dj de serviço. Colabora com Kristo e Espectro na Mixtape "Fetiche".
Já em Janeiro de 2009 Lança a mixtape K.R.S. de RealPunch.
Tem tocado pelos mais diversos palcos, desde bares, discotecas, Semanas académicas, Rock in Rio com diversos tipos de concerto, a solo ou acompanhado da sua equipa "Kimahera".
Já disponível nas lojas, com mais informação em www.sickonce.com, o álbum "Palavra de Músico". Conta com a participação de imensos valores do panorama nacional; MCs, cantores e DJs. Foi totalmente produzido por Gijoe, com 53 faixas + 53 faixas instrumentais + 17 faixas bónus, num CD em Mp3 com uma pequena surpresa na capa.
Após de lançar o EP de Tribruto (Gijoe + Kristo + RealPunch) numa parceria entre a editora Kimahera e a editora Footmovin. EP para download gratuito em www.footmovin.com, lançam no passado mês de Outubro o álbum Algazarra. É a chegada do aguardado registo de Tribruto às lojas e aos ecrãs de Televisão - www.tribruto.com.
Para breve estão: Deep:her (projecto que tem com emmy Curl) e mais projectos.






