Toca para a entrada e os miudos correm para a sala de aula com aquela ansiedade e torpor de quem não faz ideia do que lhes espera uns anos mais tarde. Daqui a uns tempos essa mesma viagem até esse mesmo sítio vai demorar muito mais tempo e custar muito mais.
Chegam todos em catadupa e rapidamente se apercebem que o professor não está. Em vez dele, teclados MIDI, guitarras, efeitos, caixas de ritmos, microfones e sintetizadores espalham-se pelas mesas como peças de Lego esperando serem ligadas.
O miúdos vibram com a repentina liberdade mas hesitam no momento de experimentar aqueles brinquedos novos. Até que o mais maroto toca numa tecla que percorre a escala até à nota mais grave. Nesse momento todos sentiram a energia que podiam tirar da parafernália que lhes tinha aparecido. Surgem as batidas, surgem os baixos, os coros. Sucedem-se as danças, as macacadas que passam de saltar a corda a coreografias de espasmos, os rabiscos nas caras uns dos outros que passam a maquilhagens fluorescentes e a sala de aula é mais divertida que nunca. Sem professores nem ordens para sentar.
Livres como a música que produzem.
A história captada como ela aconteceu faz este video cujo som é uma cover deste momento pelos Tune-yards.
Mimi Cave, como realizadora, captou-o e editou-o para ter esta qualidade. Em bruto talvez fosse forte demais.
