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O mundo inteiro em Loulé, no Festival MED 2011

Seun Kuti sobe ao Palco Matriz às 22h45 de dia 23 de Junho

Qual é a razão do sucesso do Festival MED? Afinal, de entre os músicos e bandas que ao longo dos sete anos deste evento subiram aos múltiplos palcos espalhados pela zona histórica de Loulé, contam-se pelos dedos das mãos aqueles que podem ouvir a sua música passar nas rádios e canais de TV nacionais.

O sucesso, esse está por certo muito para além da música. Se é certo que nunca se ouviu muito de Tom Zé, Tinariwen, Bajofondo Tango Club, Solomon Burke ou Femi Kuti pelas ondas hertzianas portuguesas generalistas, graças ao MED, muitas centenas de pessoas podem afirmar já ter ouvido ao vivo e dançado ao som de qualquer um destes, ou dos outros artistas presentes ao longo dos oito anos de existência deste evento.

Gastronomia, artesanato, exposições e teatro preenchem ao longo de quatro dias o recheado programa de festas, contribuindo de maneira fundamental para a criação de um ambiente especial, que desde sempre rodeou este evento.

Não é apenas mais um das dezenas – serão centenas? – de festivais que proliferam como cogumelos pelo território nacional durante os meses de Verão, lutando pela atenção dos muitos festivaleiros, com os seus cartazes inchados de bandas do momento e a promessa de momentos bem passados na companhia de amigos e boa – ou má – música.

Distante das grandes dimensões de alguns destes festivais, o MED é um evento urbano, que no entanto consegue transcender esse factor, que seria limitação para muitos, e pô-la a jogar a seu favor. É urbano sim senhor, mas o ambiente é familiar, amigável e acolhedor, como aqueles que de 22 a 25 de Junho vão andar pelas ruas estreitas do centro louletano poderão comprovar na primeira pessoa.

Assim, ao longo de quatro noites, os visitantes do MED poderão provar refeições e petiscos das mais diversas regiões do mundo, para além de comida tradicional portuguesa, sendo que o evento volta a contar mais uma vez com um espaço gastronómico dedicado exclusivamente ao Chef Chakall, que irá preparar alguns pratos ao vivo.

Para além da música e gastronomia, também o teatro merece destaque nesta edição do Festival, com a actuação da companhia Ao Luar Teatro, que irá apresentar a peça «O Fado de Cássima e o Canto das Mouras» diariamente a partir das 21h30 nos Claustros do Convento Espírito Santo.

Também diariamente, as ruelas da zona histórica de Loulé acolhem um sem número de bancas de artesanato, estando ao dispor dos visitantes um sem número de produtos, da bijuteria aos tecidos, passando pelo vestuário. A partilhar as ruas com a música, as bancas de artesanato e os visitantes estará ainda a trupe de animação de rua do TAL – Teatro Análise de Loulé, da Casa da Cultura desta cidade.

Finalmente, e antes de delinearmos os nomes musicais que irão marcar presença este ano, é necessário dar o devido destaque ao sector artístico do MED. Depois de em 2009 ter sido destacado o trabalho da artista plástica Joana Vasconcelos e de no ano passado o convite ter sido endereçado a José de Guimarães, neste ano de 2011 a Galeria de Arte do Convento de Espírito Santo irá acolher as obras de David de Almeida na sua exposição «MED».

Vencedor do Prémio Internacional de Arte Gráfica Jesús Núñez (Corunha, 2006) e do Prémio Nacional de Gravura do Museu de Gravura Espanhola Contemporânea (1999), este artista nacional será secundado naquele espaço pela exposição «Entre Margens», de Vasco Silva Lopes, composta por diversas imagens de algumas das antigas colónias portuguesas, como Moçambique ou Cabo-Verde. O recinto do Festival contará ainda com uma série de trabalhos de arte urbana da autoria de vários artistas, como Menau, Milita Dore, Charlie Holt ou Peter de Jong, entre muitos outros membros da exposição «Street Life».

Para o final deixámos a música. A decisão foi consciente, porque para o final devem ficar sempre as coisas melhores, e não há muitas coisas melhores neste mundo do que uma sequência de notas musicais que nos faça sentir algo bom.

Assim, para esta edição, o MED conta mais uma vez com diversos nomes da melhor música internacional com raízes tradicionais.

António Zambujo, Lula Pena e Muchachito Bombo Infierno prometem deixar a sua marca logo esta noite, enquanto que na quinta-feira a noite será por certo dominada por Seun Kuti & Egypt 80, embora se esperem agradáveis surpresas de outras bandas, como Os Golpes ou Sean Riley & The Slowriders.

Na sexta-feira, terceiro dia de festa, a abertura cabe ao classicismo da Orquestra do Algarve, embora as sonoridades dessa noite se venham a estender do jazz de Luísa Sobral à pop alternativa de Noiserv, tendo como ponto alto a actuação do mítico rei do funk, George Clinton, que com o seu Parliament irá incendiar o Palco da Igreja Matriz.

No sábado, dia de encerramento, a variedade sonora é ainda maior, se é que tal é possível, subindo aos mais diversos palcos artistas como Márcia, Balkan Brass Battle, Pinto Ferreira e Frankie Chavez. Nessa noite, o primeiro grande destaque vai para a actuação do mestre do jazz fusão etíope, Mulatu Astatke, cabendo ao projecto Afrocubism – uma versão 2.0 do Buena Vista Social Club – encerrar em grande as festividades.

Para além de todos estes e outros nomes que destacamos, há que relevar ainda a presença de muitos outros artistas, como Migna Mala, Marrokan, Mudo As Maria, Al Mouraria, Batida e Original Electro Groove, para além de todos os restantes que compõem o vasto cartaz do MED deste ano.

Assim, ao longo dos quatro dias do Festival MED, o ilícito irá marcar presença neste evento especial, uma mescla entre os ambientes e as vivências mouriscas e cristãs, conceitos e imagens que estiveram na génese do Algarve e que se podem sentir na pele enquanto se passeia pelas ruas da zona histórica de Loulé.

Programa diário do Festival MED 2011:

Quarta-feira – 22 de Junho

19h30 Quartetum – Palco Matriz
20h30 Nobre Ventura – Palco Arco
21h00 Migna Mala – Palco Bica
21h30 Lula Pena – Palco Castelo
21h45 António Zambujo – Palco Cerca
22h00 Instinct Baroudeurs – Palco Arco
22h45 JAADU – Faiz Ali Faiz & Titi Robin – Matriz
23h00 Eroscópio – Palco Bica
23h30 Marrokan – Castelo
00h00 Muchachito Bombo Infierno – Cerca

Quinta-feira, 23 de Junho

19h30 Josué Nunes – Palco Matriz
20h30 Toca Tintas – Palco Arco
21h00 Godai Project – Palco Bica
21h30 The Gilbert’s Feed Band – Castelo
21h45 Sean Riley & The Slowriders – Cerca
22h00 Outorga – Palco Arco
22h45 Seun Kuti & Egypt 80 – Matriz
23h00 Mudo As Maria – Palco Bica
23h30 Os Golpes – Castelo
00h00 Magnífico – Cerca

Sexta-feira – 24 de Junho

19h30 Orquestra do Algarve – Palco Matriz
20h30 Amar Guitarra – Palco Arco
21h00 Nuno Rancho – Palco Bica
21h30 Al Mouraria – Castelo
21h45 Luisa Sobral – Cerca
22h45 George Clinton & Parliament/Funkadelic – Matriz
23h30 The Soaked Lamb – Castelo
00h00 DakhaBrakha – Cerca
00h15 Noiserv – Palco Arco
00h30 Caldas Hand Saw Massacre – Palco Bica
01h15 Batida – Matriz
01h30 Clube Conguito (DJ Set) – Palco Castelo

Sábado, 25 de Junho

19h30 Carla Pontes & Jeferson Mello – Palco Matriz
20h30 César Matoso – Palco Arco
21h00 In Tento Trio – Palco Bica
21h30 Frankie Chavez – Castelo
21h45 Márcia – Cerca
22h45 Balkan Brass Battle – Matriz
23h30 Pinto Ferreira – Castelo
00h00 Mulatu Astatke – Cerca
00h15 Tâmara – Palco Arco
00h30 Original Electro Groove – Palco Bica
01h15 Afrocubism – Palco Matriz


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Apreciador de música, cinema, livros. A bem dizer, apreciador de tudo um pouco. Co-criador e editor do projecto ilícito[mag]. Para mais sobre este indivíduo, visitem http://flavors.me/bmcn.

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