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[Crítica] Secret Chiefs 3, 23 de Julho @ Milhoes de Festa


Vi o concerto de Secrets Chiefs 3 envolto em nevoeiro. E não estava nevoeiro.
Choveu mas não estava a chover. E eu mexia-me sem saber como me mexer.

Não consegui lidar com a hipnose da dança do Spruance no meio do palco com um capucho pontiagudo. Não consegui entender só dois se vestirem assim. Um violinista de crista, um percusionista que não estava bem visível à vista.

É verdade, não percebi mesmo nada. Aliás não sei se bem se lá estive sequer, muito menos a razão de estar a escrever isto.

Recebi uma sms de uma amiga nessa manhã a dizer que tinha visto Secret Chiefs 3 em Sines e que tinha sido uma “mind blowing experience” e à noite percebi. Porque a minha cabeça realmente explodiu. E explodiu indecisa.

Porque quando eu estava no world music, eles passavam para o prog. Quando eu estava firme no Prog levava um tiro de distorção. E quando me recompunha vibrava com o choque eléctrico da electrónica.

E quando a minha companhia percebeu que tinha uma metade de Smirnoff em si, caíu. Eu tinha a totalidade dos Secret Chiefs 3 na minha cabeça e caí também. Só me levantei no último acorde e foi aí que tivemos paz.

No dia seguinte acordei com aquela sensação que tive no sonho daquele bicho do mato que rodopiava no seu próprio mundo com a sua guitarra e que construiu uma das coisas mais complexas, originais (sem deixar de ser funcional) que já ouvi ao vivo e já lhe deviam ter dado um trono no mundo da música há muito tempo. Por favor só quero que chegue a hora de sonhar outra vez.

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