Plantadinho na margem do Cávado, o Milhões é uma excelente alternativa aos cartazes comerciais das bombas de fazer dinheiro em que se tornaram os festivais hoje em dia. Onde a carneirada ouve tudo sem filtrar nada e é exposta à metralhadora do marketing com a convicção de fazer parte da contra-cultura.
A escolha do cartaz incidiu em bandas de segunda e terceira linha (que são verdadeiramente as melhores) sem olhar a estilos fazendo um cartaz transversal a gostos que agradou certamente a muitos que puderam dançar, abanar a cabeça ou simplesmente sentar sem o medo de serem levados pelo galope da multidão.
Fica registado um número extraordinário (mais de 80, muito mais que no ano passado) de bandas em cinco palcos, quatro deles a intersectarem-se em parte no tempo e a dificultarem a tarefa ao ouvinte que tem de circular pelo recinto em busca do seu som de eleição, tendo mesmo de sacrificar um para ouvir outro. Apesar de tudo a organização tentou trabalhar em alternância no que diz respeito ao palco principal (Milhões de Festa) e ao palco secundário (VICE).
O campismo tem boas condições e muita sombra apesar de este ano se ter esgotado, colocando o autor deste texto ao sol a partir das nove horas da manhã sinal que para o próximo ano o espaço vai ser mais apertado. Ainda assim, mesmo com o número de pessoas que frequentaram esta edição do festival, as casas de banho aguentaram-se bastante bem fazendo o festivaleiro dos festivais mais conhecidos levantar o sobrolho.
Muita presença de segurança afastava qualquer pensamento de desacato, correu tudo pela normalidade fora um ou outro excesso que seria de grande presunção a organização tentar controlar.
Houve tempo para percorrer a bela cidade, passar a ponte para Barcelinhos (onde se localizava o palco publicitário do SWR), talvez comer um panadão no Chispes (tasca em Barcelinhos), provar o vinho verde a mirar o rio e para refrescar, dar-lhe um mergulho.
Repetir para o ano.
