No mundo da literatura raramente é dado o devido valor à BD. Aquilo que começou como simples tiras animadas nos jornais há muito que deixou de o ser. Nas suas mais diversas variantes, a BD é hoje um mundo expansivo, espaço para a imaginação, a crítica social, a abstracção e na sua forma mais simples, o humor.
Existem no entanto alguns exemplares que, pela sua qualidade e acutilância narrativa transcendem os limites da banda desenhada e das novelas gráficas, marcando a sua posição como obras importantes no panorama literário mundial. Entre alguns dos exemplares que atingiram este patamar temos «Watchmen», de Alan Moore e Dave Gibbons, «Persepolis», de Marjane Satrapi, «Ghost World», de Daniel Clowes, «Black Hole», de Charles Burns e «Maus», obra prima da literatura e produto da mente de Art Spiegelman.
Vencedor de um prémio Pulitzer em 1992, este livro marcou o seu lugar na história da literatura, reproduzindo a história do Holocausto através de um mundo em que os ratos são a espécie dominante. Surgindo a partir de uma série de conversas entre Spiegelman e o seu pai, um sobrevivente do horror nazi, esta obra vê agora uma nova reedição, criada para descortinar alguns dos segredos e das especificidades apresentadas ao longo da sua narrativa, como o porquê de o povo judeu ser representado pelos ratos, enquanto os alemães surgem na figura de gatos.
Em MetaMaus, o próprio Art Spiegelman explora estas questões a fundo, naquele que será por certo o livro de acompanhamento perfeito para a obra original, editada há 25 anos atrás.
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Nome: Bruno Nunes
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Apreciador de música, cinema, livros. A bem dizer, apreciador de tudo um pouco. Co-criador e editor do projecto ilícito[mag]. Para mais sobre este indivíduo, visitem http://flavors.me/bmcn.
