Não dá para esconder ou fingir. Eu mal ouvi Pink Mountaintops antes do concerto, não gostei e não vou ouvir mais Pink Mountaintops na vida. A não ser que me deixe dormir com o rádio ligado e isso não conta.
Posto isto, removidos os fans do canadianos, deixem-me encostar-me a um canto na depressão de Domingo, pensando na alegria do meu Sábado excepto a prestação da segunda banda da noite. A ZDB estava muito muito compostinha de público e o número de pessoas dava para medir a expectativa em relação ao concerto.
Eu adoro os ecos e os coros psicadélicos e o som dos teclados a espalharem-se pela sala mas os Pink Mountaintops conseguem pegar num conjunto de coisas boas e combiná-las de uma forma coesa, sim, mas sem ir a lado nenhum. Claro que gerir as expectativas é uma merda. Mas a banda raras vezes se esticou nas curvas, quer no lento quer no rápido, salvo uma ou outra excepção em que provocaram algumas sensações mais intensas no público com algumas batidas mais mexidas e riffs mais marcados e menos hipnóticos.
O adjectivo é mesmo: chato. Caí no erro de pensar em Black Mountain e querer ver os comparsas cor-de-rosa ao vivo por pensar na qualidade dos pretos. Mas quem não erra na vida?
Pois os Pink Mountaintops cobrem mesmo só a parte de cima da montanha e deixam muita coisa destapada e cheia de frio. Mas isso sou eu, um gajo que gosta de golfe e taxidermia.
Esta é uma crítica desequilibrada e até irrita o próprio escritor portanto faço ideia o que faz ao leitor.
Mas Asimov foi bom, muito bom. Não falando da gigante bojarda de som que o amigo Carlos produzia, ele produzia uma gigante bojarda de som.
A voz ainda um pouco desconexa no tempo não chegou para sentir que os Asimov, apenas dois, tocaram por quatro. Enchendo o som, esquecendo a falta de um baixo como costuma acontecer nestes duos, tornando o som mais seco. Mas nada disso.
Passem pelo bandcamp dos Asimov e oiçam o tema On Through The Night, seja de noite ou de dia e multipliquem o som pelos cabelos compridos do Asimov, elevem à distorção da guitarra e somem um “ssshhhhh” diabólico dos pratos da bateria e vão sentir os mesmo nove minutos que eu senti ontem à noite. De levar à loucura!
Os Asimov deixaram-se enlouquecer e nós também. Foi o primeiro concerto eléctrico e já sinto a necessidade de me internar numa instituição psiquiátrica. Não vai dar bom resultado.
