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	<title>ilícito.net &#187; Críticas</title>
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		<title>«The Black Keys»: Coração de Blues, Alma de Stoner</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Feb 2010 10:00:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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		<description><![CDATA[Há surpresas inesperadas que entram de rompante nos nossos ouvidos e, sem darmos por isso, acabam por nos mudar. «Attack &#38; Release», álbum lançado em 2008 pelos «The Black Keys», é exemplo disso. Não é por acaso. Naturalmente, ao longo das nossas vidas somos confrontados com experiências que, de certa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2010/02/Black-Keys.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1089" title="Black-Keys" src="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2010/02/Black-Keys.jpg" alt="" width="650" height="400" /></a>Há surpresas inesperadas que entram de rompante nos nossos ouvidos e, sem darmos por isso, acabam por nos mudar. «<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Attack_%26_Release" target="_blank">A</a><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Attack_%26_Release" target="_blank">t</a><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Attack_%26_Release" target="_blank">tack &amp; Release</a>», álbum lançado em 2008 pelos «<a href="http://www.theblackkeys.com/" target="_blank">The Black Keys</a>», é exemplo disso. Não é por acaso. Naturalmente, ao longo das nossas vidas somos confrontados com experiências que, de certa forma, resultam num certo amadurecimento sensorial, e os «<a href="http://www.theblackkeys.com/" target="_blank">The Black Keys</a>» acabam por ter esse efeito quase que instantâneo de alterar como se ouve e, por muito estranho que possa pareça, viajar na música.</p>
<p>Composto tão simplesmente por <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Dan_Auerbach" target="_blank">Dan Auerbach</a> (voz e guitarra) e <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Patrick_Carney" target="_blank">Patrick Carney</a> (baterista), os The Black Keys praticam um som comummente apelidado de «blues-rock», com uma certa pinta <em>stoner</em> – daquela de camisa de flanelas aos quadrados, barba por fazer e patilhas salientes &#8211; com canções que se moldam em torno da voz de Auerbach, um autêntico <em>soul/blues man</em> com a capacidade de atingir picos mais rasgados e arrastados, a fazer lembrar em certas faixas Josh Homme com os seus Queen of The Stone Age, assim como o de recriar momentos mais introspectivos, como aquele que nos é apresentado em «Things Ain&#8217;t Like They Used to Be» a fechar o álbum.</p>
<p>No fundo «<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Attack_%26_Release" target="_blank">Attack &amp; Release</a>» resulta um pouco da variação, algo complexa, desses momentos, transformando-se numa viagem sonora algo atribulada e imprevisível acompanhada com <em>riffs</em> de guitarras umas vezes mais aceleradas que outras, ao coração de um <em>blues man</em> que, como qualquer <em>blues man,</em> sofre de problemas do coração. Como resultado, um álbum sólido onde, apesar de funciona como um todo, se destacam grandes canções como a, já referida,«Things Ain&#8217;t Like They Used to Be», «Strange Times» ou «I Got Mine».</p>
<p>E sabe bem perdermo-nos nesta espécie de <em>route 66</em> mental, sem vislumbrar o final da estrada, com uma suave brisa a bater na cara e as palavras «I left that road/ So far behind/ And now I know/ I got mine» nos ouvidos.</p>
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		<title>«Fantastic Mr. Fox»: Quando Wes Anderson faz de La Fontaine</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Feb 2010 15:08:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Martins</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Películas]]></category>
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		<description><![CDATA[Um corvo pousado em cima de uma árvore com um naco de queijo atraí uma raposa que tudo faz para lhe sacar o alimento, acabando eventualmente por o conseguir. A moral desta estória, ou melhor, fábula, escrita no século XVII pelo incontornável Jean de La Fontaine , em nada terá [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2010/02/mrfox.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1082" title="mrfox" src="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2010/02/mrfox.jpg" alt="" width="650" height="314" /></a>Um corvo pousado em cima de uma árvore com um naco de queijo atraí uma raposa que tudo faz para lhe sacar o alimento, acabando eventualmente por o conseguir. A moral desta estória, ou melhor, fábula, escrita no século XVII pelo incontornável <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Jean_de_La_Fontaine">Jean de La Fontaine</a> , em nada terá que ver com o filme que <a href="http://www.imdb.com/name/nm0027572/">Wes Anderson</a> apresentou no final de 2009, mas a verdade é que, inevitavelmente, damos por nós a fazer esta relação durante a visualização de «<a href="http://www.imdb.com/title/tt0432283/">The Fantastic Mr. Fox</a>».</p>
<p>Munido de uma autêntica dream team de actores de Hollywood, que reúne as vozes de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000123/">George Clooney</a>, <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000658/">Meryl Streep</a>, <a href="http://www.imdb.com/name/nm0005403/">Jason Schwartzman</a> e <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000195/">Bill Murray</a>, Wes Anderson consegue criar uma obra ímpar naquele que é o actual panorama de filmes de animação, no chamado circuito <em>main stream</em> cinematográfico, onde, salvo raras excepções, o factor de diferenciação neste género tem sido relativamente baixo. Abdicando do badalado 3D e de um conjunto de artimanhas visuais, o autor serve-se de um conjunto de técnicas antiquadas, das quais se destaca o <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Stop_motion">stop motion</a></em>,  para adaptar o conto homónimo, escrito em 1970 por <a href="http://www.imdb.com/name/nm0001094/">Roald Dahl</a>, autor conhecido sobretudo pelos contos para crianças onde se destaca <a title="Charlie and the Chocolate Factory" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Charlie_and_the_Chocolate_Factory">Charlie and the Chocolate Factory</a>, recentemente adaptado ao cinema por Tim Burton – outro dos que teima em contrariar a regra de três simples na produção de cinema de animação.</p>
<p>Assim, surge um universo “La Fonteaiano” onde as raposas falam, socializam com toupeiras, trabalham e têm sonhos. Um universo onde o realismo acaba renegado para segundo plano, em função da estória, sem “h”, que aborda a vida de uma raposa, de nome Fox, que se vê forçada a abandonar a sua vocação – roubar galinhas, inevitavelmente – em função de uma carreira mais estável, como colunista de um jornal local. O motivo? Constituir família, obviamente.</p>
<p>Até que, quando tudo parecia encaminhado para uma vida rotineira e até aborrecida, num buraco, este ousa desferir um último golpe – dos grandes – a três agricultores locais, conhecidos pelos seus métodos intransponíveis de segurança. E assim, Mr. Fox transforma-se numa espécie de <a href="http://www.imdb.com/character/ch0002216/">Danny Ocean</a> de quatro patas, planeando ao pormenor o saque a três “casinos”, recheados de galinhas e cidra.</p>
<p>A partir daqui o filme assume um ritmo frenético de perseguições, apesar do stop motion, onde é por demais evidente todo o  processo de construção de personagens cheias de imperfeições e problemáticas, características de Wes Anderson, assim como o seu humor a que já nos habituou em filmes como «<a href="http://www.imdb.com/title/tt0838221/">The Darjeeling Limited</a>» (2007), «<a href="http://www.imdb.com/title/tt0362270/">The Life Aquatic with Steve Zissou</a>»(2004) ou «<a href="http://www.imdb.com/title/tt0265666/">The Royal Tenenbaums</a>»(2001).</p>
<p>No final, ficamos com a clara sensação de que o realismo tridimensional acaba por ser, na sociedade actual, demasiado valorizado retirando uma certa capacidade/responsabilidade de imaginação no espectador, na hora de ver o filme. A mesma capacidade que Wes Anderson soube cultivar num filme inteligente,  que nos faz viajar sem termos de recorrer a qualquer tipo de óculos especiais, e que faz de «The Fantastic Mr. Fox» um autêntico <em>gourmet </em>dentro do seu género e, porque não admiti-lo, no cinema em geral.</p>
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		<title>«Tudo pode dar certo»</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Feb 2010 16:30:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro F. Guerreiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Películas]]></category>
		<category><![CDATA[comédia]]></category>
		<category><![CDATA[Larry David]]></category>
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		<description><![CDATA[É quase patológico: tem de haver um Woody Allen em cada Woody Allen. Já  houve um Allen-mulher ou vários Allens-ele-próprio. Desta vez, é Larry David (o argumentista de Seinfeld ou de Calma Larry). E é difícil perceber se  Larry não tinha já andado por aqui – e se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_1071" class="wp-caption alignright" style="width: 297px"><a href="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2010/02/whatever_works.jpg"><img class="size-full wp-image-1071 " title="Whatever Works" src="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2010/02/whatever_works.jpg" alt="" width="287" height="426" /></a><p class="wp-caption-text">Larry Allen ou Woody David?</p></div>
<p>É quase patológico: tem de haver um Woody Allen em cada Woody Allen. Já  houve um Allen-mulher ou vários Allens-ele-próprio. Desta vez, é Larry David (o argumentista de Seinfeld ou de Calma Larry). E é difícil perceber se  Larry não tinha já andado por aqui – e se não, porquê?</p>
<p>Nós já vimos este filme antes – e isto não é uma metáfora: temos um judeu recém-divorciado de meia-idade (ele próprio, Allen,  claro) genial, erudito e verborreico, mas também hipocondríaco e atormentado com o  facto de ser perecível. Estão a ver?</p>
<p>Depois de ter estado à beira de ganhar o Nobel, o físico Boris Yellnikoff tem  uma vida descansada, com rotinas como ensinar xadrez a crianças – maltratando  ocasionalmente algumas delas – ou lavar as mãos enquanto canta o «Parabéns a você» &#8211;  para afastar os micróbios, naturalmente. Até que aparece uma jovem lolita.  Nada mais, nada menos do que a saloia Evan Rachel Wood, uma ingénua e ultra-conservadora rapariga do Sul, de quem Yellnikoff – ou devo dizer  Larry? ou direi antes Woody? – se faz mentor intelectual e amante.</p>
<p>Este Woody, deve dizer-se em abono da verdade, também não é o Woody de  sempre: há intelecto e génio, mas na vez do trapalhão de sempre, soma-se-lhe a  rabugice própria de Larry.«Tudo pode dar certo» revela Larry David como novo Woody Allen, mas marca  também um regresso ao passado do realizador nova-iorquino: este filme assinala, precisamente, o regresso a Nova Iorque.</p>
<p>Depois de boas fitas de rastro  europeu (Vicky Cristina Barcelona ou Match Point, por exemplo), Woody Allen volta a  jogar no seu terreno e assume a descontinuidade relativamente aos filmes  anteriores: «Tudo pode dar certo» assume o Woody dos late 70’s e 80’s de «Manhatan»  ou «Annie Hall».</p>
<p>Perguntem-me: mas então há aqui algo de novo? Nada &#8211; para além de Larry David, que se  não é um grande actor de comédia, é pelo menos um performer (de si próprio,  claro) nato. Mas é um Woody Allen – e um Woody Allen de regresso ao passado. E o passado –  e algum presente &#8211; de Woody Allen é, segundo nos lembramos (e achamos),  glorioso.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2010/02/whateverworksII.jpg"><img class="size-full wp-image-1074  aligncenter" title="Whatever Works - Woody Allen e Larry David" src="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2010/02/whateverworksII.jpg" alt="" width="630" height="390" /></a></p>
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		<title>«A Cura de Schopenhauer» de Irvin D. Yalom</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Feb 2010 10:00:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Palminha</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Letras]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
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		<description><![CDATA[Depois do best-seller, Yalom volta para nos surpreender. Se «Quando Nietzsche chorou» foi  uma pedrada no charco dos romances de “pseudo-auto-ajuda” que ensinam realmente  qualquer coisa, o autor agarra noutro ser incompreendido, que ficou na história pelos seus aforismos e outras prendas legadas à estúpida Humanidade.
Se atentarmos bem o trabalho [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_1013" class="wp-caption alignright" style="width: 278px"><a href="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2010/02/SchopenhauerCover.jpg"><img class="size-full wp-image-1013" title="SchopenhauerCover" src="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2010/02/SchopenhauerCover.jpg" alt="" width="268" height="403" /></a><p class="wp-caption-text">A capa da versão inglesa do livro.</p></div>
<p>Depois do best-seller, Yalom volta para nos surpreender. Se «Quando Nietzsche chorou» foi  uma pedrada no charco dos romances de “pseudo-auto-ajuda” que ensinam realmente  qualquer coisa, o autor agarra noutro ser incompreendido, que ficou na história pelos seus aforismos e outras prendas legadas à estúpida Humanidade.</p>
<p>Se atentarmos bem o trabalho de Yalom, existe um novo fôlego filosófico, aliado à psicanálise e afins, advindo da formação e experiência profissional do escritor.</p>
<p>Numa ginástica literária entre um presente urbano, agitado, cruel e os confins de um  aglomerado citadino na Europa dos inícios do século XIX, vamos descobrindo esse filósofo alemão e o seu impacto no mundo dos &#8220;bípedes&#8221;. Nesses dois fios de história / enredo, o tom é obrigatoriamente distinto. Se no presente lemos, de facto, a ficção engendrada pelo autor, no segundo caso, que remete para a vida &#8220;quase&#8221; reclusa de Schopenhauer, assume contornos enciclopédicos, de um compêndio biográfico que acumula factos e fontes epistolares para nos abrir a atmosfera pessimista do filósofo.</p>
<p>Aspecto interessante, se bem que esperado, é a colocação de frases-mestras no arranque de cada capítulo. Na tradição dos melhores (e piores, também) livros de auto-ajuda, cada parte da obra é encimada por uma citação de Schopenhauer. Algumas destas são brutais na sua frieza, outras meramente explicativas, mas, sempre presente, está o âmago da filosofia desenvolvida pelo solitário alemão: o pessimismo perante a mediocridade humana, a necessidade de isolamento quando a consciência da genialidade amedronta o próprio génio, e, claro, numa antecipação à psicanálise freudiana (outro tema forte para Yalom), a importância fulcral dos impulsos sexuais no determinar de toda e qualquer acção por nós perpetuada. Mesmo assim, e a biografia de Schopenhauer atesta uma intensa vida sexual, este lado semi-obscuro da mente humana é rebatido pelo filósofo pela &#8220;sujidade&#8221; que envolve. Esta frase é disso exemplo: &#8220;O sexo intromete-se com o seu lixo e interfere nas negociações dos estadistas e nas investigações dos eruditos. Todos os dias destrói os relacionamentos mais preciosos e rouba os escrúpulos aos que antes eram honestos.&#8221;</p>
<p>Mas, voltando à história, que cura é esta que o título apresenta? Pegando na sua experiência como psicoterapeuta, Yalom cria um grupo de personagens que, em sessões de terapia semanais, procuram solução / explicação / cura para os seus traumas / medos / desejos. Coordenados por Julius, o médico mental de serviço, as revelações sucedem-se e as questões levantadas por qualquer um deles poderiam, curiosamente, brotar dos nossos lábios num qualquer estádio da nossa vida.</p>
<p>O enredo começa com Julius, chegado à recta final da uma vida cheia de glória e,  relativamente, feliz, a descobrir que padece de um cancro. Perante a realidade dos factos e &#8220;com a vida a passar-lhe à frente dos olhos&#8221;, rumina uma eterna questão: &#8220;fiz alguma diferença neste mundo?&#8221; Entre os arquivos de antigos pacientes, durante uma busca para o seu &#8220;obrigatório&#8221; livro de despedida, encontra a ficha do seu maior fracasso: Philip. Volta a contactá-lo para saber como passava, se já estava &#8220;curado&#8221; da sua libido incontrolável, e é a partir daqui que a intriga se adensa. Convidado, embora renitente, a participar na terapia em grupo que Julius conduz, Philip mostra-se um ser frio, distante, execrável, fechado na sua vida rotineira e na sua estranha obsessão com Schopenhauer. Sessão após sessão, dilema após dilema, e enquanto os dramas de cada &#8220;membro&#8221; do grupo vão sendo desfiados, Philip também se vai soltando. E que papel tem o filósofo alemão nisto tudo? Antes do inesperado telefonema de Julius, muitos anos depois das consultas que não deram quaisquer resultados, Philip já era o mesmo &#8220;garanhão&#8221;. As leituras de grandes filósofos e uma estranha empatia com o alemão pessimista, tanto na vida como nas palavras, trouxeram-lhe a mudança. Como o próprio personagem refere: &#8220;Schopenhauer salvou-me a vida&#8221;, um paradoxo posteriormente explicado, já que, num dos seus eternos ataques de depressão perante a miudeza da estupidez do Homem, o alemão foi mais um dos génios que escolheu o isolamento como refúgio.</p>
<p>A partir daqui tudo se desenrola e, alternando as animadas sessões de terapia com os dados biográficos de Schopenhauer, Yalom consegue manter o leitor entretido. Embora se afaste do ritmo vertiginoso que nos ofereceu no seu livro anterior &#8211; talvez porque Nietzsche seja um personagem mais completo / complexo? -, o livro entretém e, mais que isso, leva a que muitas pausas se sucedam. Porquê? Porque cada aforismo novo, cada citação do velho e desgraçado Schopenhauer leva a uma racionalização, uma forte atenção sobre o que a vida encerra e, como pessimista que era, se a felicidade não será apenas uma fase passageira pela ausência momentânea do sofrimento que, todos sabemos, ser garantido.</p>
      ]]></content:encoded>
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		<title>«Up in the Air»: Tanto subiu, que se perdeu</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Feb 2010 10:00:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Martins</dc:creator>
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Comecemos pelo essencial: «Up in the Air» não é um mau filme. Simplesmente não é nada de especial. E tudo me pareceria perfeitamente normal não fosse todo o frenesim motivado pelas nomeações (seis para os Oscars, entre os quais os de melhor Filme e melhor Actor, e outras tantas nos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2010/02/upintheair.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-936" title="upintheair" src="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2010/02/upintheair.jpg" alt="" width="350" height="263" /></a></p>
<p>Comecemos pelo essencial: «<a href="http://www.imdb.com/title/tt1193138/" target="_blank">Up in the Air</a>» não é um mau filme. Simplesmente não é nada de especial. E tudo me pareceria perfeitamente normal não fosse todo o frenesim motivado pelas nomeações (seis para os Oscars, entre os quais os de melhor Filme e melhor Actor, e outras tantas nos Globos de Ouro) que o filme tem recebido.</p>
<p>Com argumento adaptado do <em>bestseller </em>homónimo de Walter Kirn, o enredo aumentaria, à partida, o interesse em torno do filme, aliando ainda  isto, a curiosidade de perceber como se comportaria um <a href="http://www.imdb.com/name/nm0718646/" target="_blank">Jason Reitman</a> após os sucessos que foram «<a href="http://www.imdb.com/title/tt0467406/" target="_blank">Juno</a>» (2007) e «<a href="http://www.imdb.com/title/tt0427944/">Thank You for Smoking</a>» (2005).</p>
<p>George Clooney, que cada vez mais parece ter olho para filmes “oscarizáveis”, surge assim num papel de Ryan Bingham, um homem cujo a sua profissão é, tão simplesmente, despedir pessoas, &#8220;obrigando-o&#8221; a ter uma vida rotineiramente nómada, em constantes viagens pelo país. Um homem que adoptou os quartos de hotel como sua própria casa, e os aviões como sala de estar, prezando este estilo de vida ao ponto de o adoptar como filosofia.</p>
<p>No entanto, o enredo que tanto prometia rapidamente se torna previsível e entra nos limites da banalidade, transformando-se num daqueles filmes de filosofia barata que normalmente se encontram disponíveis numa qualquer livraria na secção de auto-ajuda.</p>
<p>O que à partida demonstrava ser um filme complexo esbate-se com o conteúdo final de um típico <em>feel good movie</em>. Nem mesmo a prestação de George Clooney, aqui em modo automático mas ainda assim positiva, foi suficiente para salvar uma estória pouco imaginativa e sem qualquer essência. Mais previsível do que a existência de um possível romance que vem colocar em causa toda esta filosofia, só mesmo o facto de uma desilusão amorosa arrastar o protagonista para o ponto de partida: Sozinho, num avião.</p>
<p>E assim, um filme que tinha todo o potencial de despertar no espectador uma reflexão em torno da actual conjectura económica mundial e da frieza com que as organizações tratam os seus funcionários (nos já famosos <em>layoffs </em>em massa), torna-se, tão simplesmente, numa comédia banal anti-romântica, ao ponto de, em certos momentos, darmos por nós à procura de Hugh Grant no ecrã.</p>
      ]]></content:encoded>
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		<title>Arctic Monkeys: Quem os viu e quem os vê</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Feb 2010 09:30:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Martins</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Dois anos após o seu último concerto &#8211; no Coliseu dos Recreios, em Lisboa – os «Arctic Monkeys» voltaram a Portugal, desta feita para apresentar o seu terceiro álbum «Humbug», com duas datas no Porto (Coliseu) e em Lisboa (Campo Pequeno) nos dias dois e três de Fevereiro, respectivamente.
«Humbug», lançado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2010/02/arcticMonkeysCampoPequeno.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-878" title="arcticMonkeysCampoPequeno" src="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2010/02/arcticMonkeysCampoPequeno-300x234.jpg" alt="" width="300" height="234" /></a>Dois anos após o seu último concerto &#8211; no Coliseu dos Recreios, em Lisboa – os «<a href="www.arcticmonkeys.com/">Arctic Monkeys</a>» voltaram a Portugal, desta feita para apresentar o seu terceiro álbum «<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Humbug_(album)">Humbug</a>», com duas datas no Porto (Coliseu) e em Lisboa (Campo Pequeno) nos dias dois e três de Fevereiro, respectivamente.</p>
<p>«Humbug», lançado em Agosto de 2009, foi considerado pela crítica uma obra mais madura da banda de Sheffield, onde a sua sonoridade assume uma nova dimensão, sem as guitarradas ritmadas à qual nos habituámos a bater o pé, e onde somos introduzidos a um lado mais negro e melancólico.</p>
<p>Havia por isso a curiosidade de perceber como se iriam reflectir essas mudanças na actuação da banda. E se o Coliseu do Porto se esgotou meses antes do dia do concerto, o Campo Pequeno não quis ficar atrás, enchendo também por completo. A verdade é que, sem se esforçarem minimamente, os rapazes de Sheffield reúnem a simpatia de um público que reage – com mais ou menos histeria – aplaudindo e cantando, do inicio ao fim, as músicas da banda. O cenário para um bom concerto estava, por tudo isto, montado.</p>
<p>Foi no meio de cortina de fumo que os rapazes, mais velhos e sobretudo mais cabeludos, surgem com uma abertura como que a anunciar o final da adolescência, onde a música «Dance Little Liar» serviu de pretexto. Sem nunca deixar de lado este novo lado melancólico – inclusive nas músicas dos dois primeiros álbuns &#8211; os temas receberam um novo revestimento, mais stoner, como que a protege-los da noite fria que se fazia sentir lá fora.</p>
<p>Acabou por ser um concerto mais pesado, para aqueles que esperavam o pop-rock dos outros dois, onde a acústica do Campo Pequeno nem sempre foi melhor, levando a que, por vezes, as palavras de Alex Turner se perdessem no meio de riffs mais hostis. Mas nem isso foi suficiente para arrefecer um concerto que teve como pontos altos músicas como «Brainstorm», «The View From The Afternoon», «I Bet You Look Good On The Dancefloor» e «When The Sun Goes Down». Outra das novidades deste concerto foi todo um jogo de luzes que, juntamente com duas colunas de leds, davam uma diferente perspectiva do concerto ao mesmo tempo que faziam do palco uma zona caótica, não aconselhado a epilépticos.</p>
<p>No final pediu-se mais e, ao contrário do que tinha sucedido nos dois primeiros concertos em terras lusas, os rapazes fizeram a vontade e voltaram para oferecer «Cornerstone» e «505», finalizando em beleza numa noite onde a banda, acompanhada de um quinto elemento encarregado de um <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Rhodes_piano">rhode</a> e de uma guitarra, soube tourear com classe um público desejoso, sem nunca defraudar quaisquer expectativas.</p>
<p>E assim o ritmado tornou-se frenético. As letras orelhudas tornaram-se menos repetitivas, mais complexas. A ausência de clearasil transformou-se na ausência – quase gritante – de tesouradas. E assim os rapazes se tornaram homens.</p>
      ]]></content:encoded>
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		<title>«Autoretrato do Escritor» é um exercício falhado: por aqui, não se ganham murakamianos</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Feb 2010 15:20:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro F. Guerreiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Letras]]></category>
		<category><![CDATA[Auto-retrato do escritor enquanto corredor de fundo]]></category>
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		<description><![CDATA[Há uma palavra que subjaz a todo este livro de Haruki Murakami: obstinação. Pode questionar-se o que leva um dos maiores romancistas contemporâneos (uma estrela pop da literatura, um nome todos os anos aventado para o Nobel) a escrever um ensaio auto-biográfico sobre corrida de fundo. O resultado é um misto de crónica sobre corrida defundo e ensaio auto-biográfico. E um exercício falhado, também. Em toda a linha. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2010/02/autoretrato-do-escritor1.jpg"><img class="size-medium wp-image-859 alignright" title="autoretrato do escritor" src="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2010/02/autoretrato-do-escritor1-195x300.jpg" alt="" width="195" height="300" /></a>Há uma palavra que subjaz a todo este livro de Haruki Murakami: obstinação. Pode questionar-se o que leva um dos maiores romancistas contemporâneos (uma estrela pop da literatura, um nome todos os anos aventado para o Nobel) a escrever um ensaio auto-biográfico sobre corrida de fundo. Murakami dá-nos uma certeza: ninguém o incumbiu da tarefa. No epílogo, diz que se trata “de uma espécie de memórias”, e que, depois de o ter acabado de escrever, se libertou “de um peso que carregara aos ombros durante bastante tempo”.</p>
<p>Em primeira instância, o “Auto-retrato do Escritor enquanto corredor do fundo” [“What i talk when i talk about running”, no inglês, adaptado do “What i talk, when i talk about love”, de um dos seus ídolos literários, Raymond Carver] levanta uma questão quase tão velha como a vida: afinal, o que move os escritores? Talento ou trabalho? Génio ou labor? Num exercício de extrema modéstia (não questionaremos se falsa), Murakami faz a sua declaração de interesses: acha-se um escritor com as suas “limitações”. Para ele, “a escrita de romances é um trabalho físico”. E vai daí, desata a correr. Não uma corrida de cinco ou dez quilómetros, duas ou três vezes por semana, como fazem os joggers normais. Não: estamos a falar de um treino duro diário,  verdadeira corrida de fundo, de meias-maratonas para cima – e o cima, aqui, chegou a ser uma mega-maratona de cem quilómetros.</p>
<p>Porém, o que é assumido por Murakami como suporte físico para a sua actividade – escrever romances – assume contornos mais densos que isso. Murakami parece, quase sempre, preocupado com a perda das suas faculdades físicas, com a passagem dos anos sobre si próprio e sobre o seu corpo. E é por isso, também, que, para além da correlação entre a corrida de fundo e a escrita de romances, este é, também, um ensaio sobre a velhice.</p>
<p>Murakami tem, actualmente, 61 anos e o que podia ser um passatempo saudável soa a obsessão com a velhice e &#8211; arriscamos &#8211; a uma espécie de expiação para certa dose de imperfeição. E o Murakami desta semi-biografia é razoavelmente imperfeito: é fácil antipatizar com a pessoa por de trás de romances tão brilhantes como “Kafka à Beira-Mar” ou “Norwegian Wood”. A dada altura, Murakami assume-o: não crê que as pessoas tenham interesse pela sua pessoa &#8211; não tem vida social; as suas únicas actividades são escrever e correr, pelo que nunca lhe passaria pela cabeça escrever uma biografia “a sério”.</p>
<p>Para alguém com uma imaginação tão prodigiosa, “Auto-Retrato do Escritor enquanto corredor de fundo” é um exercício falhado. Um exercício interessante, claro, mas ainda assim falhado. Uma meia-biografia despojada de estilo. A espaços, há fogachos interessantes: apontamentos sobre os interesses pessoais e literários de Murakami, por exemplo. Mas há quem tenha escrito muito melhor sobre corrida de fundo. “Auto-retrato do escritor enquanto corredor de fundo” não traz ninguém para o universo murakamiano.</p>
      ]]></content:encoded>
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		<title>The Flaming Lips &#8211; «The Dark Side of the Moon»</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Feb 2010 12:32:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Nunes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[À pagina 231 do livro «American Hardcore: A Tribal History» (inédito em Portugal), o seu autor, Steven Blush escreve a seguinte passagem: “Norman, OK (Oklahoma), casa da Universidade de Oklahoma, tinha espectáculos em salas tipo VFW (Salões de Veteranos da Guerra). Toquei por lá duas vezes com os «No Trend», [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2010/02/flaminglips.jpg"><img class="alignright  size-full wp-image-843" title="Flaming Lips - «Dark Side of the Moon»" src="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2010/02/flaminglips.jpg" alt="" width="300" height="300" /></a>À pagina 231 do livro «<a href="http://www.amazon.com/American-Hardcore-History-Steven-Blush/dp/0922915717/ref=sr_1_3?ie=UTF8&amp;s=books&amp;qid=1265243158&amp;sr=8-3" target="_blank">American Hardcore: A Tribal History</a>» (inédito em Portugal), o seu autor, <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Steven_Blush" target="_blank">Steven Blush</a> escreve a seguinte passagem: “Norman, OK (Oklahoma), casa da Universidade de Oklahoma, tinha espectáculos em salas tipo VFW (Salões de Veteranos da Guerra). Toquei por lá duas vezes com os «<a href="http://www.last.fm/music/No+Trend" target="_blank">No Trend</a>», em 83 e 84; Na segunda vez tivemos 50 pessoas na audiência. O grupo que fez a primeira parte nessa noite tocou o «<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/The_Dark_Side_of_the_Moon" target="_blank">Dark Side of the Moon</a>» dos <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Pink_Floyd" target="_blank">Pink Floyd</a> do princípio ao fim. Eram os Flaming Lips&#8221;.</p>
<p>Confiando na memória deste documentarista da história do punk rock hardcore norte-americano, a música dos britânicos Pink Floyd, e em especial o clássico álbum «Dark Side of the Moon» há muito que fazem parte do percurso musical dos <a href="http://www.flaminglips.com/" target="_blank">Flaming Lips</a>, porventura desde a sua formação.</p>
<p>Vinte e cinco anos depois da referida actuação na sua terra natal, a ligação da banda de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Wayne_Coyne" target="_blank">Wayne Coyne</a> à mestria psicadélica e progressiva dos Pink Floyd e ao seu álbum conceptual vê finalmente a luz do dia, desaguando naquele que é o 13º registo discográfico dos <a href="http://www.myspace.com/flaminglips" target="_blank">Flaming Lips</a>, o segundo editado em 2009, depois do excelente «<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Embryonic" target="_blank">Embryonic</a>».</p>
<p>Contando com a colaboração dos <a href="http://www.myspace.com/stardeath" target="_blank">Stardeath and White Dwarfs</a>, banda de Dennis Coyne, sobrinho do dito cujo, de <a href="http://www.myspace.com/peaches" target="_blank">Peaches</a> e de um tal de <a href="http://www.myspace.com/henryrollins" target="_blank">Henry Rollins</a>, vocalista dos históricos Black Flag e actual artista de spoken word e stand-up, como que para completar a ligação ao punk hardcore, o «Dark Side of the Moon» dos Flaming Lips não é o «Dark Side of the Moon» dos Pink Floyd. E não o é, não apenas por estarem separados por 36 anos ou por se encontrarem um mundo severamente diferente, mas também porque tal comparação seria demasiado injusta para os rapazes de Oklahoma.</p>
<p>Com um estilo musical claramente descendente dos “Floyd”, a pop psicadélica dos Flaming Lips tem gerado ao longo dos anos uma sucessão de discos cuja qualidade é definida aleatoriamente. Nuns casos a cacofonia e a aparente anarquia sonora gera música que roça a genialidade, enquanto noutros casos não andará muito longe de um acidente com múltiplas vítimas mortais.</p>
<p>No caso desta visão do clássico da música rock, a primeira audição deve obrigatoriamente que ser feita de pé atrás e com as expectativas pouco acima do nível do mar, não por descrédito ou falta de confiança na genialidade de Wayne Coyne e dos seus pares, mas porque entrar com as expectativas lá bem no alto seria colocar um peso demasiado grande nos ombros dos músicos.</p>
<p>Neste caso, a competência dos Flaming Lips é confirmada, não sendo um álbum que envergonhe a discografia da banda. Mesmo o sr. <a href="http://www.myspace.com/henryrollins" target="_blank">Rollins</a> – a recriar os samples de voz presentes no álbum original – e a sra. <a href="http://www.myspace.com/peaches" target="_blank">Peaches</a> – a dar a voz na faixa «The Great Gig in the Sky» &#8211; não se portam nada mal. Aliás, para além de «The Great Gig in the Sky», as outras faixas que se destacam são a onírica «Us and Them», e a instrumental «Any Colour You Like», num som quase a roçar o funk.</p>
<p>«Dark Side of the Moon» não é o melhor disco que os Flaming Lips já criaram, longe disso. Para o confirmar ouça-se «<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/The_Soft_Bulletin" target="_blank">The Soft Bulletin</a>», «<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Yoshimi_Battles_the_Pink_Robots" target="_blank">Yoshimi Battles the Pink Robots</a>» ou «<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Embryonic" target="_blank">Embryonic</a>».<br />
Este disco, lançado por altura do Natal, aparenta ser mais uma prenda para os fãs da banda e para os próprios membros do veterano agrupamento. Um registo do seu passado, do início, dos tempos em que tudo começou, porventura numa garagem algures no Oklahoma a ouvir «Dark Side of the Moon» e a tocar rudimentarmente por cima.</p>
<div id="attachment_845" class="wp-caption aligncenter" style="width: 640px"><a href="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2010/02/flaminglipsbig.jpg"><img class="size-full wp-image-845" title="Wayne Coyne e companhia" src="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2010/02/flaminglipsbig.jpg" alt="" width="630" height="508" /></a><p class="wp-caption-text">Wayne Coyne e companhia vão apresentar «The Dark  Side of the Moon» no festival de Bonaroo</p></div>
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<p class="MsoNormal">À pagina 231 do livro «American Hardcore: A Tribal History» (inédito em Portugal), o seu autor, Steven Blush escreve a seguinte passagem: “Norman, OK (Oklahoma), casa da Universidade de Oklahoma, tinha espectáculos em salas tipo VFW (Salões de Veteranos da Guerra). Toquei por lá duas vezes com os «No Trend», em 83 e 84; Na segunda vez tivemos 50 pessoas na audiência. O grupo que fez a primeira parte nessa noite tocou o «Dark Side of the Moon» dos Pink Floyd do princípio ao fim. Eram os Flaming Lips&#8221;.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Confiando na memória deste documentarista da história do punk rock hardcore norte-americano, a música dos britânicos Pink Floyd, e em especial o clássico álbum «Dark Side of the Moon» há muito que fazem parte do percurso musical dos Flaming Lips, porventura desde a sua formação.</p>
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<p class="MsoNormal">Vinte e cinco anos depois da referida actuação na sua terra natal, a ligação da banda de Wayne Coine à mestria psicadélica e progressiva dos Pink Floyd e ao seu álbum conceptual vê finalmente a luz do dia, desaguando naquele que é o 13º registo discográfico dos Flaming Lips, o segundo editado em 2009, depois do excelente «Embryonic».</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Contando com a colaboração dos Stardeath and White Dwarfs, banda de Dennis Coyne, sobrinho do dito cujo, de Peaches e de um tal de Henry Rollins, vocalista dos históricos Black Flag e actual artista de spoken word e stand-up, como que para completar a ligação ao punk hardcore, o «Dark Side of the Moon» dos Flaming Lips não é o «Dark Side of the Moon» dos Pink Floyd. E não o é, não apenas por estarem separados por 36 anos ou por se encontrarem um mundo severamente diferente, mas também porque tal comparação seria demasiado injusta para os rapazes de Oklahoma.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Com um estilo musical claramente descendente dos “Floyd”, a pop psicadélica dos Flaming Lips tem gerado ao longo dos anos uma sucessão de discos cuja qualidade é definida aleatoriamente. Nuns casos a cacofonia e a aparente anarquia sonora gera música que roça a genialidade, enquanto noutros casos não andará muito longe de um acidente com múltiplas vítimas mortais.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">No caso desta visão do clássico da música rock, a primeira audição deve obrigatoriamente que ser feita de pé atrás e com as expectativas pouco acima do nível do mar, não por descrédito ou falta de confiança na genialidade de Wayne Coyne e dos seus pares, mas porque entrar com as expectativas lá bem no alto seria colocar um peso demasiado grande nos ombros dos músicos.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Neste caso, a competência dos Flaming Lips é confirmada, não sendo um álbum que envergonhe a discografia da banda. Mesmo o sr. Rollins – a recriar os samples de voz presentes no álbum original – e a sra. Peaches – a dar a voz na faixa «The Great Gig in the Sky» &#8211; não se portam nada mal. Aliás, para além de «The Great Gig in the Sky», as outras faixas que se destacam são a onírica «Us and Them», e a instrumental «Any Colour You Like», num som quase a roçar o funk.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">«Dark Side of the Moon» não é o melhor disco que os Flaming Lips já criaram, longe disso. Para o confirmar ouça-se «The Soft Bulletin», «Yoshimi Battles the Pink Robots» ou «Embryonic».</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Este disco, lançado por altura do Natal, aparenta ser mais uma prenda para os fãs da banda e para os próprios membros do veterano agrupamento. Um registo do seu passado, do início, dos tempos em que tudo começou, porventura numa garagem algures no Oklahoma a ouvir «Dark Side of the Moon» e a tocar rudimentarmente por cima.</p>
</div>
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		<title>Em noite fria «Termómetro» sobe no Lx Factory</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Feb 2010 09:30:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Martins</dc:creator>
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		<description><![CDATA[No passado sábado, a Lx Factory, recebeu a final de mais uma edição, a 15ª, do festival «Termómetro», um projecto concebido pelo homem dos sete ofícios Fernando Alvim. E foi num ambiente industrial e frio que o Termómetro fez subir a temperatura, num festival que caminha a passos largos para a maioridade.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_819" class="wp-caption aligncenter" style="width: 660px"><a href="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2010/02/P1319000.jpg"><img class="size-full wp-image-819" title="P1319000" src="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2010/02/P1319000.jpg" alt="" width="650" height="400" /></a><p class="wp-caption-text">Vencedores da 15º edição do «Termómetro», Black Taxis</p></div>
<p style="text-align: center;">
<p>Na noite do passado sábado, a Lx Factory, em Lisboa, recebeu a final de mais uma edição, a 15ª, do festival «Termómetro», um projecto concebido pelo homem dos sete ofícios Fernando Alvim. E foi num ambiente industrial e frio, como a temperatura que se fazia sentir cá fora, que o Termómetro fez subir a temperatura, num festival que caminha a passos largos para a maioridade.</p>
<p>Conhecido por lançar bandas como «Blind Zero», «Silence 4» e «Ornatos Violeta», o festival deste ano contou, para além das actuações das bandas finalistas, com a participação dos «BASS-OFF», a banda vencedora da edição do Termómetro do ano passado e com uma actuação especial de um trio composto por Samuel Úria, B Fachada e Manel Cruz, a justificar por si só uma Lx Factory preenchida.</p>
<p>O concerto de abertura esteve a cargo dos «BASS-OFF», agrupamento das Caldas da Rainha possuidor de sonoridades mais “rockeiras“, preenchida aqui e ali com alguns rasgos de guitarradas mais agressivas num género descrito pela banda como Rock ‘n’ Noise. Com disco, intitulado «Ohmónimo», prestes a sair, os «BASS-OFF» deram o mote para o que viria a ser o resto da noite.</p>
<div id="attachment_823" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><a href="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2010/02/P1318986.jpg"><img class="size-full wp-image-823" title="P1318986" src="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2010/02/P1318986.jpg" alt="" width="300" height="230" /></a><p class="wp-caption-text">Actuação dos portugueses The Hypers</p></div>
<p>Diga-se à partida que as características que fizeram do Lx Factory o espaço ideal para este tipo de eventos – um ambiente escuro e profundamente industrializado – contribuíram também para que o som não estivesse nas melhores condições, dada a fraca acústica do local.</p>
<p>Após a actuação dos «BASS-OFF» teve então início a final propriamente dita. Cada uma das seis finalistas teria de tocar quatro músicas, tendo que uma delas ser, obrigatoriamente, uma versão. Desta forma, o concurso abriu com o pop melódico dos portugueses «<a href="http://www.myspace.com/longwaytoalaska" target="_blank">Long way to Alaska</a>», naturais de Braga, com uma actuação algo apagada, talvez pela própria envolvência e acústica do espaço, ou pela pouca experiência da banda que terá dado o seu primeiro concerto em Novembro de 2009, levantando, no entanto a curiosidade de os ouvir numa sala adequada.</p>
<p>Seguiram-se os espanhóis «<a href="http://www.myspace.com/autumncomets" target="_blank">Autumn Comets</a>» e o seu punk rock corriqueiro, sem nada de novo para oferecer, conseguiram fugazmente atingir o pico da sua actuação na terceira música, quando interpretaram a música «Paper Planes» de M.I.A., numa versão interessante, marcando sobretudo pela diferença em relação à versão original. No entanto se há coisa que os espanhóis &#8211; «<a href="http://www.myspace.com/autumncomets" target="_blank">Autumn Comets</a>» incluídos &#8211; deveriam ter aprendido com o Rick Martin e todos os filhos bastardos do Julio Iglesias, é que cantar em inglês nem sempre é boa ideia.</p>
<p>No entanto, foi à passagem da terceira banda que o ambiente começou a aquecer com a entrada dos portugueses «<a href="http://www.myspace.com/the_hypers" target="_blank">The Hypers</a>». Praticantes do chamado rock revivalista, os três elementos da banda alfacinha soltaram autênticas descargas eléctricas, com riffs de guitarra a fazer lembrar, a certas alturas, os suecos «<a href="http://www.myspace.com/thehives" target="_blank">The Hives</a>». Para versão escolheram «Woman» dos «Wolfmother» numa actuação que acabou por contagiar – e conquistar o público. O público mostrava então sinais de estar ali, também, para ver e ouvir boa música e não só beber umas cervejas e conviver com amigos.</p>
<div id="attachment_824" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2010/02/P1319012.jpg"><img class="size-full wp-image-824" title="P1319012" src="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2010/02/P1319012.jpg" alt="" width="300" height="230" /></a><p class="wp-caption-text">Actuação da banda que ficou em 2º lugar, Hallo Kosmo</p></div>
<p>Com o público mais animado – e aquecido – pela actuação dos «<a href="http://www.myspace.com/the_hypers" target="_blank">The Hypers</a>» o trabalho até parecia facilitado para os alemães «<a href="http://www.myspace.com/blacktaxxi" target="_blank">Black Taxis</a>» que apenas teriam de manter o ritmo. E até poderiam tê-lo feito, mas não teria sido a mesma coisa. À quarta actuação estava prestes a rebentar a bomba da noite. Quem os ouve no Myspace nem adivinha metade da irreverência e energia que esta banda mostra em palco – sobretudo o vocalista &#8211; mas a verdade é que o espírito do rock ‘n’ roll esteve ali representado com todos os seus piores e, sobretudo, melhores tiques. Desde o crowd surfing, ao brincar constantemente com o fio do microfone em torno do pescoço e por dentro da camisola e cuspindo a água que bebia, segundos antes. Todos estes clichés faziam sentido e público reagia com entusiasmo. A actuação realizada deixava praticamente em cheque as restantes bandas, mesmo as que ainda não haviam actuado. Foi quase como se uma equipa de Premier League se intrometesse num torneio das distritais – o vencedor seria inevitável. Como versão, a banda alemã optou por um tema que, como a banda fez questão de referir, remonta ao início da história do rock, interpretando o «<a href="http://www.youtube.com/watch?v=_59n86U3Dvs" target="_blank">Twist and Shout</a>» dos «<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Beatles" target="_blank">The Beatles</a>», proporcionando assim um dos momentos altos da noite.</p>
<p>Ainda assim, e quase que para cumprir calendário, ainda houve espaço para mais duas actuações, referentes a bandas da competição – os portugueses «<a href="http://www.myspace.com/youcantwincharlieb">You can’t win Charlie Brown</a>» e os belgas «<a href="http://www.myspace.com/hallokosmo" target="_blank">Hallo Kosmo</a>» que viriam a ser respectivamente coroados com o terceiro e segundo lugar da competição. De destacar o som poliglota da banda de Bruxelas – foi a única banda da competição que não cantou exclusivamente em Inglês &#8211; que exibiram um pop electrónico ora colorido, contrastando com cenário fabril do espaço, ora decadente e até melancólico a fazer relembrar o som synthpop dos «<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Devo" target="_blank">Devo»</a>. Tanto é que a escolha do cover foi precisamente para um dos principais êxitos da banda americana «Whip it», lançado no início dos anos 80’s.</p>
<p>Para o final, já a noite ia longa, e enquanto o júri escolhia o vencedor do concurso, estava guardado o momento maior de todo o evento, pelo qual todos os presentes ansiavam.</p>
<p>Com uma actuação totalmente acústica, <a href="http://www.myspace.com/samueluria" target="_blank">Samuel Úria</a> e <a href="http://www.myspace.com/bfachada" target="_blank">B Fachada</a>, membros das fileiras da editora «<a href="http://www.myspace.com/florcaveira" target="_blank">Flor Caveira</a>», embalados pelos respectivos sucessos em 2009, juntaram-se à mestria dessa lenda da música portuguesa que é <a href="http://www.fogefogebandido.com/" target="_blank">Manel Cruz</a>, ex-vocalista dos <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ornatos_Violeta" target="_blank">Ornatos Violeta</a>, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Pluto_%28banda%29" target="_blank">Pluto</a> e <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Supernada" target="_blank">Supernada</a> para criar um momento raro e extremamente especial. A actuação acabou por ser curta, onde cada músico apresentou duas canções do seu repertório, sendo que o entrosamento entre os três esteve dentro dos possíveis. Ainda assim, este foi o suficiente para fazer daquele um momento histórico, à sua maneira, quer para o público –  muito jovem &#8211; que assistia estarrecido, talvez por ter pela primeira vez a possibilidade assistir a um concerto do artista natural do Porto, como para os próprios músicos da «<a href="http://www.myspace.com/florcaveira" target="_blank">Flor Caveira</a>»  que tinham a possibilidade de actuar lado a lado com um daqueles mitos vivos da música nacional. <a href="http://www.myspace.com/samueluria" target="_blank">Samuel Úria</a> terá inclusive referido que &#8220;apesar de nunca ter conhecido o Manel (Cruz)&#8221; o ouvia muito quando &#8220;dez anos antes, acabava um relacionamento&#8221;.</p>
<div id="attachment_821" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><a href="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2010/02/P1319020.jpg"><img class="size-medium wp-image-821 " title="P1319020" src="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2010/02/P1319020-300x234.jpg" alt="" width="300" height="234" /></a><p class="wp-caption-text">Actuação do trio composto por Samuel Úria, B Fachada e Manel Cruz</p></div>
<p>No final, a actuação terminou em apoteose, com Manel Cruz a relembrar «<a href="http://vimeo.com/2849081" target="_blank">Cap</a><a href="http://vimeo.com/2849081" target="_blank">itão Romance</a>» com o acompanhamento, sem qualquer falha, do público presente. No final pediu-se mais. Não houve. Como qualquer momento histórico, dificilmente se repetiria. Restava apenas aos sobreviventes desta autêntica maratona musical saber o óbvio – a vitória mais do que merecida dos «<a href="http://www.myspace.com/blacktaxxi" target="_blank">Black Taxis</a>» &#8211; e desfrutar do espaço ao som de um Dj set de «Dr. Ramos».</p>
<p>Assim se fez mais uma edição de «Termómetro», um concurso que também é festival, e que ganha cada vez mais espaço no panorama da música nacional. Para o ano, espera-se, haverá mais. Viva o Termómetro e, porque não, viva o Alvim.</p>
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		<title>«Caderno Afegão», de Alexandra Lucas Coelho &#8211; Um tratado de coragem e de esperança</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Jan 2010 07:43:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro F. Guerreiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Letras]]></category>
		<category><![CDATA[Alexandra Lucas Coelho]]></category>
		<category><![CDATA[Caderno Afegão]]></category>
		<category><![CDATA[livros]]></category>
		<category><![CDATA[Público]]></category>

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		<description><![CDATA[Primeiro, é a capa. A edição - maravilhosa. Nós até podemos ter lido no Público - e lemos - algumas crónicas e reportagens de Alexandra Lucas Coelho a partir do Afeganistão, mas fazê-lo numa edição como a do «Caderno Afegão» - parte da excelente colecção de literatura de viagens da Tinta da China, coordenada por Carlos Vaz Marques - é um suplemento mais que delicioso, mesmo para um indefectível de jornais - o que, aliás, é o caso.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2010/01/6rWfcPVD5NC8tZ9y0nJf.jpg"><img class="size-full wp-image-703 alignright" title="cadernoafegao" src="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2010/01/6rWfcPVD5NC8tZ9y0nJf.jpg" alt="" width="230" height="318" /></a></p>
<p>Primeiro, é a capa. A edição &#8211; maravilhosa. Nós até podemos ter lido no Público &#8211; e lemos &#8211; algumas crónicas e reportagens de Alexandra Lucas Coelho a partir do Afeganistão, mas fazê-lo numa edição como a do «Caderno Afegão» &#8211; parte da excelente colecção de literatura de viagens da Tinta da China, coordenada por Carlos Vaz Marques &#8211; é um suplemento mais que delicioso, mesmo para um indefectível de jornais &#8211; o que, aliás, é o caso.</p>
<p>Depois, o óbvio: o Afeganistão é, aos nossos olhos, aquilo que pessoas como Alexandra Lucas Coelho (jornalistas, normalmente, com risco da própria vida) nos têm dado a ler, mas, principalmente, a ver. Mas o que Alexandra Lucas Coelho faz com o seu «Caderno Afegão» é, precisamente, dar a conhecer para lá dessas imagens rotineiras de telejornal.</p>
<p>Com o olhar incisivo de repórter e a sensibilidade de uma mulher (num país que não é para mulheres), ela pessoaliza e humaniza os afegãos. Porque lhes acede: contacta da mesma forma a deputada Fauzia Kufi, que recebe todos os cidadãos que o desejarem, ou a fotógrafa de 18 anos Zubaida Akbar que estudava, à época, numa escola suíça perto de Lausanne. Como se não bastasse, Alexandra Lucas Coelho escreve sempre tão bem, como diz Carlos Vaz Marques no prefácio.</p>
<p>Alexandra Lucas Coelho escreve como viveu. Com intensidade, mas sem uma única vírgula fora do lugar. E nós vivemos com ela: nas vezes sem conta em que foi obrigada a cobrir a cara. Quando teve de viajar por estradas péssimas sob a ameaça de bandidos ou taliban &#8211; ou ambas. Quando acordou com tiros e explosões, enquanto o céu tremia. Quando foi confrontada com mães com o útero de fora, com crianças com espinha bífida.</p>
<p>Mas também quando Alexandra Lucas Coelho visitou a casa da família que &#8220;estrela ovos numa bilha de gás, mas lê os filósofos sufis e Wittgenstein&#8221;, para além de Heidegger, Kierkegaard, Nietzsche, Baudrillard ou Foucault. Ou as águas de Band-e-Amir. Ou o sonho do jovem afegão regressado da América que teimava em treinar uma equipa feminina de boxe.</p>
<p>O Caderno Afegão é um tratado de coragem. A bem da nossa designorância. A bem da visita a um lugar que nunca visitaríamos de outra forma &#8211; e que nunca veríamos com outros olhos sem um «Caderno Afegão». E é, também, um tratado de esperança. &#8220;Uma afegã-americana que vive em Atlanta veio mostrar o Afeganistão aos filhos, ao fim de 30 anos. Uma velha americana do Ohio diz-lhe que está a chorar porque os afegãos têm tanto amor para dar&#8221;, escreve, às tantas, Alexandra. Depois do «Caderno Afegão», podemos ver telejornais de outra maneira.</p>
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