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	<title>ilícito.net &#187; Críticas</title>
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		<title>Paco Hunter: directamente dos Tops de Acapulco</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Jul 2010 09:29:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Constantino Silva</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Se Paco Hunter diz que é número um no top de Acapulco eu acredito. E acredito porque ouvi o álbum e ao fazê-lo é fácil perceber como é que se pode viver em Braga e ter a cabeça do outro lado do oceano. Paco Hunter bate certo, faz sentido e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2010/07/pacoHunter.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-2221" title="pacoHunter" src="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2010/07/pacoHunter-295x300.jpg" alt="" width="207" height="210" /></a>Se Paco Hunter diz que é número um no <em>top </em>de Acapulco eu acredito. E acredito porque ouvi o álbum e ao fazê-lo é fácil perceber como é que se pode viver em Braga e ter a cabeça do outro lado do oceano. Paco Hunter bate certo, faz sentido e vale a pena. Tem viagens de carro, boleias no deserto, bares polinésios, bebedeiras e velhos a apertar com latinas em balcões encerados. A guitarra é vadia, cria um ambiente de bar e é muito bem tratada. Há muito humor nas letras e volta e meia ouvimos um espanhol de Tijuana que traz originalidade a Paco Hunter no contexto português.<br />
Surf rock é o que não falta sempre com um registo de voz bem disposto, sem se perder em devaneios demorados.<br />
Conseguem ser alegres e melancólicos, e mudam de disposição da mesma forma como mudam de estilos, experimentando o <em>funk </em>nos temas «Ressurected» e «My Connection», um <em>country </em>bonitinho como em «Tishomingo» e até Bossa mas não vou dizer em qual.<br />
Um trabalho original, que vai buscar combustível a muitos géneros e ainda assim consegue manter a pedalada do seu imaginário base, vale muito a pena espreitar.</p>
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		<title>Herbie Hancock lança «Imagine Project»: Quando o Jazz se perde na Pop</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Jun 2010 09:32:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Martins</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Possuidor de um inquestionável percurso, Herbie Hancock assume aos 70 anos o estatuto de lenda viva do jazz. Tendo trabalhado e tocado ao lado de diversos nomes sonantes – onde se destaca o quinteto de Miles Davis – o pianista e compositor destaca-se sobretudo pelo seu percurso a solo e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2010/06/imagine.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-2004" title="imagine" src="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2010/06/imagine.jpg" alt="" width="270" height="271" /></a>Possuidor de um inquestionável percurso, Herbie Hancock assume aos 70 anos o estatuto de lenda viva do jazz. Tendo trabalhado e tocado ao lado de diversos nomes sonantes – onde se destaca o quinteto de Miles Davis – o pianista e compositor destaca-se sobretudo pelo seu percurso a solo e pela rebeldia com que, desde muito cedo, ousou fundir o jazz com ritmos mais electrónicos.</p>
<p>Daí que quando em 2008 o músico foi premiado com um Grammy pelo álbum &#8220;River: The Joni Letters&#8221; – apenas o segundo álbum de jazz a receber tal distinção &#8211; tenha ficado no ar a ideia de que mais do que premiar o disco, esta distinção pretendia enaltecer a carreira. O álbum terá tido os seus méritos é certo, até pela recepção por parte da crítica, mas a verdade é que se tratava de uma obra menor do músico. Menos livre, menos rebelde e, no fundo, menos Herbie Hancock. Agora em 2010 o músico volta-se a apresentar com um novo trabalho, intitulado «Imagine Project», que se conjuga com um documentário e propõe desafiar as raízes das várias culturas mundiais. Conceptualmente o álbum consiste num conjunto de versões de temas emblemáticos da história da música, desde «Imagine» de John Lennon – tema que dá nome ao projecto &#8211; a «The Times, They Are A’Changin» de Bob Dylan, por entre outros. Para tal, Herbie Hancock contou com a colaboração de vários músicos, maioritariamente ligados ao mundo da música pop, como Pink, James Morrison, Dave Matthews, John Legend e Seal.</p>
<p>Pelo que nos é dado a conhecer através do site do músico, o álbum representa uma nova viagem de Herbie a um mundo mais popular e, consequentemente, aborrecido. Não que o popular seja por norma mau, mas o facto é que em «Imagine Project» raras são as versões apresentadas que nos cativem e que, no fundo, acrescentem algo de novo ao tema original. Destaca-se no entanto a faixa “Tamatant Tilay/Exodus“ com participações de K Naan and Los Lobos onde a fusão das teclas de Herbie com os sons africanos, intimamente ligados ao Afrobeat, funcionam na perfeição.</p>
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		<title>«Juventude em Revolta»: Um rebelde em causa</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Jun 2010 09:08:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Nunes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A relação atribulada de um adolescente com o sexo. Não será um ponto de partida original em qualquer formato, muito menos no cinema. Nick Twisp é um adolescente obcecado por sexo, ou melhor, pela falta dele. A sua vida não vai de vento em poupa, dividindo o tecto com a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A relação atribulada de um adolescente com o sexo. Não será um ponto de partida original em qualquer formato, muito menos no cinema.</p>
<p>Nick Twisp é um adolescente obcecado por sexo, ou melhor, pela falta dele. A sua vida não vai de vento em poupa, dividindo o tecto com a sua mãe e o burgesso Jerry, a mais recente paixão da senhora Twisp.</p>
<p>«<a href="http://www.imdb.com/title/tt0403702/" target="_blank">Juventude em Revolta</a>», filme realizado por <a href="http://www.imdb.com/name/nm0037708/" target="_blank">Miguel Arteta</a>, relata a história do desabrochar da personalidade de Nick, de jovem tímido com um vocabulário bastante acima da média para a sua idade, até à criação do seu alter-ego Francois Dillinger.</p>
<p>Subproduto dos seus sentimentos e incapacidades reprimidas, a esquizofrenia de Nick surge depois de conhecer a jovem Sheeni Saunders, por quem se apaixona perdidamente.</p>
<p>Movido pela necessidade de agradar a Sheeni, Nick decide enveredar por um caminhos de destruição e rebeldia, empurrado pela personalidade ousada de François, para quem não existem limites.</p>
<p>Neste filme, Michael Cera tem finalmente, através de Nick, ou melhor, de François, uma oportunidade para fugir à personagem-tipo que o tem acompanhado ao longo da sua carreira cinematográfica, o adolescente copinho-de-leite, sendo esta por certo uma das mais valias da película.</p>
<p>O estrangeiro, nomeadamente a França e as suas figuras da Nouvelle Vague, marcam ao longo da narrativa esse lado perigoso, repleto de riscos e de paixão, onde os sentimentos menos puros encontram refúgio. Unidos pelo apreço em relação à cultura francófona das décadas de 60 e 70, Sheeni e Nick têm como entrave a família ultra-religiosa de Sheeni.</p>
<p>Miguel Arteta, realizador relativamente novo no sistema de Hollywood, é competente na realização deste <em>pseudo indie</em>, embarcando ainda assim na utilização de técnicas que pouco ou nada acrescentam à narrativa, como a animação <em>stopmotion </em>em plasticina no início do filme.</p>
<p>Para além de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0148418/">Cera</a> e de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0234668/">Portia Doubleday</a>, «Juventude em Revolta» conta ainda com as interpretações de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000114/">Steve Buscemi</a>, <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000501/">Ray Liotta</a>, <a href="http://www.imdb.com/name/nm0005443/">Jean Smart</a> e <a href="http://www.imdb.com/name/nm0519043/">Justin Long</a>, embora quem “roube” por completo todas as cenas em que entra seja o hilariante <a href="http://www.imdb.com/name/nm0302108/">Zach Galifianakis</a>.</p>
<p>«Juventude em Revolta» pouco mais é do que uma comédia/romance adolescente com alguns pontos de interesse. Passeia-se por caminhos poucas vezes trilhados nos filmes do género, é certo, e dá ao cinema um Michael Cera diferente, elementos que não são no entanto suficientes para elevar o filme a um patamar de destaque.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2010/06/tumblr_l39kva7gkf1qz6f9y.jpeg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1893" title="tumblr_l39kva7gkf1qz6f9y" src="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2010/06/tumblr_l39kva7gkf1qz6f9y.jpeg" alt="" width="649" height="347" /></a> <a href="http://www.youtube.com/watch?v=XbJyaO97QPY" target="_blank">Trailer de «Juventude em Revolta»</a></p>
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		<title>«KickAss»: Um pontapé nos dentes, mas suave.</title>
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		<pubDate>Thu, 20 May 2010 13:11:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Nunes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A adaptação ao cinema não segue exactamente a mesma história da obra original. Geralmente esta é a ideia geral com que os consumidores se confrontam, sejam os pontos de partida livros, peças de teatro ou jogos de vídeo. Não será regra e muito menos o objectivo final da indústria, mas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2010/05/kickass_081.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-1811" title="Kick-Ass" src="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2010/05/kickass_081-1024x682.jpg" alt="" width="650" height="432" /></a></p>
<p><a href="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2010/05/kickass_081.jpg"></a>A adaptação ao cinema não segue exactamente a mesma história da obra  original. Geralmente esta é a ideia geral com que os consumidores se  confrontam, sejam os pontos de partida livros, peças de teatro ou jogos  de vídeo.</p>
<p>Não será regra e muito menos o objectivo final da  indústria, mas é rara a adaptação final de um livro de banda desenhada  ou novela gráfica – se quisermos diferenciar -, que se transforma num  bom filme, ou de qualidade ligeiramente acima da média.</p>
<p>À primeira  vista material altamente cinematográfico, seja pela sua criação quase  em molduras como pelas histórias de super-heróis e mundos fantásticos,  os livros de BD dão, na sua maioria, filmes medíocres.</p>
<p>Existem  excepções, é certo, e o renascer das cinzas de Batman em «<a href="http://www.imdb.com/title/tt0372784/" target="_blank">Batman Begins</a>», pela mão de  <a href="http://www.imdb.com/name/nm0634240/" target="_blank">Christopher Nolan</a> marcou por certo uma nova fase na adaptação de  personagens de BD ao cinema, assim como o primeiro «<a href="http://www.imdb.com/title/tt0371746/" target="_blank">Iron Man</a>», de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0269463/" target="_blank">Jon  Favreau</a>.</p>
<p>Tudo isto para dizer que <a href="http://www.imdb.com/title/tt1250777/" target="_blank">Kick-Ass</a> não é fiel à história de  <a href="http://www.imdb.com/name/nm2092839/" target="_blank">Mark Millar</a> e <a href="http://www.imdb.com/name/nm1348210/" target="_blank">John Romita Jr.</a>, pelo menos totalmente. São algumas as  diferenças, naquela que é, na grande maioria, uma simplificação do  argumento para o filme.</p>
<p>Não que o Kick-Ass de Mathew Vaughn seja  menos divertido e cheio de acção que a BD original. Os ingredientes da  fórmula de sucesso estão lá: a violência, a acção, o humor, uma criança a  dizer palavrões, está tudo lá.</p>
<p>Assentando na premissa de um mundo  onde os super heróis não precisam de poderes para o serem, apoiando-se  nas suas próprias convicções morais do bem e do mal para vestirem o fato  e entrarem em acção, em Kick-Ass não existem milagres.</p>
<p>Dave  Lizewski (<a href="http://www.google.com/url?sa=D&amp;q=http%3A%2F%2Fwww.imdb.com%2Fname%2Fnm1093951%2F" target="_blank">Aaron  Johnson</a>) é um jovem adolescente que um dia se pergunta: “Por que  não existem super heróis?”. A única diferença é que, ao contrário da  esmagadora maioria da população, Dave decide iniciar-se na parte  empírica da resposta à sua pergunta.</p>
<p>Vaughn, até há pouco tempo  produtor de Guy Ritchie, completa assim ao seu terceiro filme mais uma  obra competente, isto depois da estreia em «<a href="http://www.imdb.com/title/tt0375912/" target="_blank">Layer Cake</a>» – filme que deu,  diz-se, o papel de James Bond a Daniel Craig – e nos reinos fantásticos  de «<a href="http://www.imdb.com/title/tt0486655/" target="_blank">Stardust</a>».</p>
<p>Em traços gerais, Kick-Ass é um exercício da  estética da BD bem aplicado ao grande ecrã, apresentando todos os  símbolos necessários para que assim o seja. Vaughn não inova, mas isso  dificilmente lhe era pedido.</p>
<p>Um argumento simples, com um vilão  que não foge aos habituais padrões &#8211; <a href="http://www.google.com/url?sa=D&amp;q=http%3A%2F%2Fwww.imdb.com%2Fname%2Fnm0835016%2F" target="_blank">Mark  Strong</a> não perdia nada em diversificar os papéis que escolhe,  incidindo constantemente no vilão unidimensional, como prova o novo  Robin Hood – e uma banda sonora à maneira. Não há que enganar. Kick-Ass é  um divertimento de duas horas, e não é preciso conhecer a fundo a mitologia do super-herói para o apreciar.</p>
<p>A seguir, a sequela. Deixando completamente em aberto o final, tanto na BD como no cinema, Kick-Ass irá ter continuação. No grande ecrã já há nome e data: em 2012 haverá «Kick-Ass 2: Balls to the Wall».</p>
      ]]></content:encoded>
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		<title>A noite de Gil Scott-Heron @ Aula Magna</title>
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		<pubDate>Wed, 19 May 2010 09:30:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Martins</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Doctor Gil, doutorado em Bluesology. Assim se apresentou Gil Scott-Heron ao início da noite, após surgir pelo meio do fumo branco que assombrava o palco da Aula Magna. A simples silhueta de Scott-Heron desencadeou uma monumental ovação ainda antes do concerto começar. “O mundo ao contrário”, poderia pensar alguém que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img alt="" src="http://farm4.static.flickr.com/3361/4619645507_a5b8beebb2_o.jpg" class="alignnone" width="650" height="360" /></p>
<p>Doctor Gil, doutorado em Bluesology. Assim se apresentou Gil Scott-Heron ao início da noite, após surgir pelo meio do fumo branco que assombrava o palco da Aula Magna. A simples silhueta de Scott-Heron desencadeou uma monumental ovação ainda antes do concerto começar. “O mundo ao contrário”, poderia pensar alguém que por mero acaso tivesse caído ali naquele espaço àquela hora. Mas não, o aplauso apoteótico – como que a pedir um encore, no final de um qualquer concerto – anunciava “simplesmente” a chegada de alguém que representa, por si só, um pedaço tão incontornável da história da música e sem o qual nada seria o mesmo – “cause, you know i’ve been sampled a lot of times over the years”.</p>
<p>Sozinho em palco, Gil Scott-Heron começou por assumir o papel de stand-up comedian brincando com o seu passado mais recente e mesmo com o vulcão islandês – que tem atrapalhado a sua digressão –, na tentativa de conquistar o público logo ali, com piadas ligeiras, preparando-o ao mesmo tempo para o que se seguiria.</p>
<p>Ainda sozinho, juntou-se ao seu <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Rhodes_piano">rhodes</a> para fazer aquilo que tão bem sabe fazer. Com um álbum lançado no início deste ano («I’m New Here») após mais de uma década longe dos estúdios, a expectativa estaria em perceber que parte do seu reportório iria apresentar.</p>
<p>A verdade é que Scott-Heron não teve pressa de chegar ao ano de 2010, passeando por clássicos como «Winter in America», «Home Is Where The Hatred Is», «I Think I&#8217;ll Call It A Morning», «Pieces of a Man» e &#8220;We Almost Lost Detroit&#8221;, alguns dos quais já acompanhados por uma banda composta por três elementos na percussão, órgão e harmónica. Longe do fulgor vocal de outrora teve na sua voz, agora num tom mais grave e sujo, um instrumento que complementou na perfeição as canções da sua vida.</p>
<p>De «I’m new There» &#8211; sendo um álbum mais cru, com uma sonoridade muito própria &#8211; pouco se adequava ao concerto que Scott-Heron planeara. Naquela noite, Gil era Doctor Gil e o Blues a sua especialidade. Ainda assim tivemos em « I&#8217;ll Take Care Of You», dos poucos registos blues deste novo álbum, um dos momentos da noite.</p>
<p>A verdade é que Gil Scott-Heron sabe-o. Sempre o soube e a idade só o veio apurar. Quando canta, e fala, Scott-Heron fá-lo não só para os corações mas também para os cérebros de quem o ouve e é esse o seu mérito, o de ser ouvido durante décadas &#8211; residindo aí a sua intemporalidade.</p>
<p>No final o público, que já estava conquistado à partida, ovacionou pedindo mais e o artista respondeu afirmativamente por duas vezes. Em cerca de uma hora e meia Gil Scott-Heron fez desfilar clássicos atrás de clássicos, fazendo questão de marcar na memória de cada um dos presentes o dia em que viram o mestre.</p>
<p>Para ver mais fotos do concerto consultar a <a href="http://www.flickr.com/photos/ilicitomag/">conta do ilícito no Flickr.</a></p>
<p><img alt="" src="http://farm4.static.flickr.com/3301/4619645443_798e0215c6_o.jpg" class="alignnone" width="650" height="360" /></p>
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		<title>Antes da «Algazarra» Tribruto lançam EP gratuito</title>
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		<pubDate>Sat, 15 May 2010 15:25:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Martins</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Não há muito tempo o ilícito esteve à conversa com Gijoe, DJ natural de Portimão, a propósito do seu álbum, «Palavra de Músico». Alguns meses depois, o produtor e criador surge com o seu mais recente projecto, intitulado «Tribruto» – que partilha com os  MC’s Kristo e RealPunch, também eles algarvios. Depois de apresentarem o projecto ao vivo, os três dão agora o primeiro passo com o lançamento do EP, para download gratuito, com selo da Kimahera e Footmovin.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><center><a href="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2010/05/tribrutoImg.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1752" title="tribrutoImg" src="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2010/05/tribrutoImg.jpg" alt="" width="600" height="250" /></a></center></p>
<p>Não há muito tempo o <a href="http://ilicito.net/2010/03/gijoe-palavras-de-um-musico/">ilícito esteve à conversa com Gijoe</a>, <em>DJ </em>natural  de Portimão, a propósito do seu álbum, «Palavra de Músico». Alguns meses  depois, o produtor e criador surge com o seu mais recente projecto,  intitulado «Tribruto» – que partilha com os <em> MC</em>’s Kristo e RealPunch, também eles algarvios.  Depois de apresentarem o projecto ao vivo, os três dão agora o primeiro  passo com o lançamento do EP, para <a href="http://footmovin.com/news_tributo.html">download gratuito</a>, com selo da  <a href="http://kimahera.com/">Kimahera</a> e <a href="http://footmovin.com/">Footmovin</a>.</p>
<p>Numa entrevista recente à Rádio  Universitária do Algarve, o grupo revelou que apesar de já terem  «Algazarra» – assim se chama o álbum &#8211; preparado, optaram por lançar o  EP primeiro para, de certa forma, seguir as regras da indústria. E dizem  as regras que antes de se comprar um perfume há que consumir a amostra,  porque no fundo é disto que este EP é feito &#8211; uma espécie de amostra  concentrada daquilo que a banda pode dar. E não parece ser pouco,  diga-se.</p>
<div id="attachment_1757" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><a href="http://footmovin.com/news_tributo.html"><img class="size-full wp-image-1757" title="Tribruto---EP---Capa" src="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2010/05/Tribruto-EP-Capa.jpg" alt="" width="300" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Capa do Ep lançado pelos Tribruto</p></div>
<p>A julgar pelas cinco faixas que compõem o EP – e pelas poucas vezes que se apresentaram ao vivo – percebe-se que estamos perante uma (nova) força bruta do hip-hop nacional prestes a rebentar.</p>
<p>Se a produção do EP não surpreende pela qualidade que apresenta, ou não tivesse sido obra de Gijoe, a prestação dos dois <em>MC</em>’s (Kristo e RealPunch), sendo menos  conhecidos do grande público, é um dos pontos fortes a destacar deste  registo de apresentação. Com um <em>flow</em> e pronúncia caracteristicamente  algarvios e uma língua afiada rica em <em>punchlines </em>menos óbvias, como fazem questão  de sublinhar, os Tribruto nunca descuram a mensagem e, a brincar a brincar, lá vão fazendo hip-hop à séria.</p>
<p>Na entrevista, ao ilícito, Gijoe referiu, a propósito da falta de nomes fortes no hip-hop algarvio, que &#8220;quando  reparam nos bons valores do Algarve é porque já não há nada a fazer… já  estão num patamar acima&#8221;. Se é  certo que é prematuro colocar os Tribruto no  topo do hip-hop nacional,  não é menos certo pensar que estamos  perante um conjunto com garra e <em>skills</em> que se diferencia de tudo o resto que se faz se por cá.</p>
<p><a href="http://footmovin.com/news_tributo.html">Download do EP de Tribruto</a></p>
<p><object width="640" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/e2IhE4iWikE&#038;hl=en_US&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/e2IhE4iWikE&#038;hl=en_US&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="640" height="385"></embed></object></p>
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		<title>A noite dos Orelha Negra @ Lux</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Apr 2010 11:00:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Martins</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Muito se tem escrito sobre a nova super banda que o país viu nascer no início deste ano, sobretudo com o lançamento do seu primeiro álbum, Orelha Negra. Desde então não pararam de surpreender e, consequentemente, recolher elogios da critica. Já foram apelidados de &#8220;novo classicismo&#8221; e tiveram direito a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2010/04/orelha_negraConcerto.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1584" title="orelha_negraConcerto" src="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2010/04/orelha_negraConcerto.jpg" alt="" width="600" height="370" /></a></p>
<div>
<p>Muito se tem escrito sobre a  nova super banda que o país viu nascer no início deste ano, sobretudo  com o lançamento do seu primeiro álbum, Orelha Negra. Desde então não  pararam de surpreender e, consequentemente, recolher elogios da critica.  Já foram apelidados de &#8220;novo classicismo&#8221; e tiveram direito a um  programa de rádio ao lado de quem, no passado, não teria hesitado em  lançá-los num tal de «Febre de Sábado de Manhã».</p>
<p>Tudo  isto fazia antever uma boa noite para os lados de Santa Apolónia, onde  os Orelha Negra tinham a oportunidade de apresentar no Lux o álbum em  concerto – já o tinham feito em showcase  na Fnac &#8211; numa envolvência que faz justiça à sonoridade da banda.</p>
<p>O  concerto começou morno, onde a banda fez questão de “cumprir calendário”  tocando faixas mais introspectivas e intimistas. Entre estas estavam  «Memória» ou «Tanto Tempo», sempre de execução imprevisível, misturando e  acrescentando novos elementos sonoros e tornando-as, em certos  momentos, faixas totalmente distintas das que haviam ficado registadas  em estúdio. Este é, aliás, um ponto que desde logo se destacou neste  concerto: quem estaria à espera de ver Orelha Negra &#8211; o álbum, foi  surpreendido com os Orelha Negra &#8211; monstros de palco.</p>
<p>Sem  falar nem utilizar qualquer tipo de comunicação, que não a sonora, os  Orelha Negra têm o dom de conseguir captar uma ligação imediata com o  seu público, fazendo-o dançar, gritar, aplaudir e tudo mais. O <em>boogie </em>acabaria eventualmente por se soltar quando a faixa «Lord» &#8211; primeiro  single da banda – se fez ouvir, para nunca mais ser apanhado. A partir  daqui a temperatura da cave do Lux acabou por subir aos píncaros do  inferno, com a banda a puxar bem pelos baixos e grooves,  aproveitando a acústica que a sala lhes permitia, sempre bem  acompanhados pelos magníficos jogos de luzes que fazem do Lux um espaço  ainda mais díspare  quando comparadas às típicas salas a que estamos habituados.</p>
<p>Ao  vivo, mais do que no álbum, os Orelha Negra fazem questão de dar uma  verdadeira lição de cultura negra, passeando pelos vários estilos musicais e artistas  que a compõem, originando um “produto” completamente distinto daquele  que foi materializado em CD e em Vinil, mas de igual qualidade.</p>
<p>Um puxão  para os Orelha Negra.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="100%" height="385" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/gnsmzkINI04&amp;hl=en_US&amp;fs=1&amp;rel=0&amp;hd=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="100%" height="385" src="http://www.youtube.com/v/gnsmzkINI04&amp;hl=en_US&amp;fs=1&amp;rel=0&amp;hd=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
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		<title>Macacos do Chinês ao vivo no Music Box</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Mar 2010 09:26:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Martins</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Dão que falar há cerca de dois anos, altura em foram destaque na compilação «Novos Talentos» da Fnac e as primeiras músicas começaram a chegar ao Myspace, mas o certo é que não têm sido assim tantas as oportunidades para assistir a um concerto de uma das bandas proeminentes da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2010/03/macacosDoChines.jpg"><img class="aligncenter size-full  wp-image-1456" title="macacosDoChines" src="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2010/03/macacosDoChines.jpg" alt="" width="650" height="369" /></a></p>
<p>Dão que falar há cerca de dois anos, altura em foram destaque na  compilação «Novos Talentos» da Fnac e as primeiras músicas começaram a  chegar ao Myspace, mas o certo é que não têm sido assim tantas as  oportunidades para assistir a um concerto de uma das bandas proeminentes  da cena hip-pop nacional.</p>
<p>No passado sábado, dia 27 de  Março, voltou-se a repetir uma das raras oportunidades de assistir a  um concerto dos Macacos dos Chinês num  Music Box que ainda assim esteve longe de encher. Apesar de serem uma  banda relativamente recente, o repertório da banda, que conta com um  álbum de originais («Ruídos Reais») e uma <em>mixtape</em> («Mixtape do  C$%&amp;»), fazia por si só adivinhar um bom espectáculo.</p>
<p>Contando  como de costume com a presença de Espectro Cliché nas vozes, o concerto  começou em força com «Farix»,  faixa retirada da <em>mixtape </em>lançada há cerca de seis meses, e que surgiu como um aviso para o que se  seguiria: um concerto do C$%&amp;.</p>
<p>Se há coisa que os  Macacos do Chinês sabem é como dar um grande concerto. Contando com uma  banda extremamente competente, um som cada vez mais eclético e um  conjunto de mc’s que respiram hip-hop por todos os poros, o concerto  assumiu um ambiente de extrema proximidade interactiva entre público e  banda.</p>
<p>Desde cedo conotados a terrenos musicais pouco  explorados em terras lusas, viajando algures entre o <em>grime </em>e o <em>dubstep </em>com travos de <em>drum  ‘n’ bass</em>, esta banda tem procurado mostrar que o seu estilo e influências não são fáceis  de resumir, conseguindo abranger várias vertentes, sempre com uma forte  ligação à tradição e ao passado do nosso país &#8211; para o que a presença da  guitarra portuguesa dá um grande contributo.</p>
<p>Se em  «Inspiração» as notas ditas clássicas foram trocadas por <em>riffs </em>de  guitarra “metalizados” com imagens de «Metalica» a passar como cenário de  fundo, ou em «Funky Show» o auto-tune  se misturou com ritmos mais <em>funk</em>,   o concerto foi um autêntico desfile de estilos musicais sempre com a  energia de Skillaz a contagiar um público que respondeu de forma  constantemente positiva ao espectáculo que estava a assistir.</p>
<p>No  final, uma explosão apoteótica ao ritmo de «Babilónia» e a música  «Festa»,  a recuperar o <em>hit </em>dos  anos 80 «Hoje é Festa», de Lara Li, e a fechar uma noite que tinha sido  precisamente isso, de festa. E assim tiveram lugar as despedidas, com um  agradecimento sentido ao público e a Luisão, que nessa noite marcara o  golo da vitória do Benfica sobre o Braga.</p>
<p>No ar permaneceu também  o sentimento de que uma banda como esta merece outro tipo de  reconhecimento e de salas condignas, que mais do que cheias, estejam a  abarrotar.</p>
<p>Quer pelo seu som, como pela energia que  transparecem em palco e pela forma genuína como encaram o público, é  inevitável não recuperar uma frase de um conhecido <em>sketch </em>para relembrar  que o som com que os Macacos do Chinês brindam  o seu público é de uma «frescura do C$%&amp;».</p>
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		<title>A noite especial de B Fachada @ ZDB</title>
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		<pubDate>Mon, 29 Mar 2010 09:00:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Martins</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Foi uma Zé Dos Bois (ZDB) esgotada aquela que recebeu um tal de B Fachada, numa noite fria e chuvosa mas que, ainda assim, se adivinhava acolhedora para ouvir as baladas revivalistas de um músico que tendo as suas influências no passado representa uma das mais interessantes promessas na música [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_1439" class="wp-caption aligncenter" style="width: 660px"><a href="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2010/03/BFachada_ZDB_VM1.jpg"><img class="size-full wp-image-1439" title="BFachada_ZDB_VM1" src="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2010/03/BFachada_ZDB_VM1.jpg" alt="" width="650" height="433" /></a><p class="wp-caption-text">© Vera Marmelo</p></div>
<p style="text-align: left;">Foi uma Zé Dos Bois (ZDB) esgotada aquela que recebeu um tal de B  Fachada, numa noite fria e chuvosa mas que, ainda assim, se adivinhava acolhedora para ouvir as baladas revivalistas de um músico que tendo as suas influências no passado representa uma das mais interessantes promessas na música nacional.</p>
<p>Em conversa com Inês Meneses, no programa «Fala  com Ela» da Radar,  B Fachada havia já adiantado que este seria um concerto muito especial,  por ter, pela primeira vez, a participação do seu amigo Martim – que o  acompanhou ao longo do concerto no contrabaixo e nos coros. Esta foi  aliás uma relação de palcos que começou da melhor forma, com o contrabaixo  a preencher os espaços vazios, resultantes de falsetes mais  prolongados, e com uma interacção entre os dois músicos &#8211; e o próprio  público &#8211; bastante saudável.</p>
<p>O espaço esse era – também ele  – especial para o músico, estando repleto de pessoas numa sala pequena e  intimista, como o som de Fachada, e que por momentos pareceu ter sido  feita à medida para receber um concerto do músico de Cascais.</p>
<div id="attachment_1452" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><a href="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2010/03/BFachada_ZDB_VM3.jpg"><img class="size-full wp-image-1452" title="BFachada_ZDB_VM3" src="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2010/03/BFachada_ZDB_VM3.jpg" alt="" width="450" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">© Vera Marmelo</p></div>
<p>Com  um alinhamento que foi além das músicas que compõe o álbum homónimo, B  Fachada apresentou canções menos conhecidas que tiveram o dom de  facilmente conquistar uma plateia que, na sua grande maioria,  provavelmente nunca as tinha ouvido. É assim B Fachada, fácil de se  consumir sem ser fast food,  muito pelo contrário, com uma sensibilidade musical  &#8211; em disco e ao  vivo – impressionantes e capazes de meter uma multidão a cantar ao ritmo  do pulsar do seu coração, porque é no fundo isso que se canta: amores  e, sobretudo, desamores.</p>
<p>B Fachada faz questão de se  apresentar como criador de canções, engenheiro de notas múltiplas que  conjuga a melodia com voz na busca de algo que atraia multidões. Não se  vê como músico de performance ou, pelo menos, segundo disse na mesma  entrevista transmitida na Radar, não é esse o seu principal interesse. E,  de facto, compreende-se que Fachada seja o oposto de uma super star da pop, vulgo monstro de  palco. Tímido e demasiado pensativo para reagir a instintos do momento,  limita-se a fazer o que melhor sabe, tocando para os ouvidos e corações  de quem o rodeia.</p>
<p>A noite na ZDB não foi excepção, com o  músico a pedir de início às pessoas para subirem ao palco e  aproximarem-se, rodeando-o quase por completo. E nisto surgiram as  primeiras notas, ainda sem Martim em palco, oriundas de um órgão em tudo  condizente ao estilo peculiar de B Fachada. Por momentos, a sala,  atafulhada de gente e ruídos, fechou-se num silêncio inquebrável para  escutar «Responso para Maridos Transviados».  Foi sol de pouca dura. Da  mesma forma como se silenciou, o ambiente-se soltou-se num clima de  festa e celebração à música de B Fachada.</p>
<div id="attachment_1451" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><a href="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2010/03/BFachada_ZDB_VM2.jpg"><img class="size-full wp-image-1451" title="BFachada_ZDB_VM2" src="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2010/03/BFachada_ZDB_VM2.jpg" alt="" width="450" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">© Vera Marmelo</p></div>
<p>Num concerto onde  os momentos altos alternaram entre «Só te Falta Seres Mulher», «Kit de  Prestidigitação» e «Cantiga de Amigo» B Fachada conseguiu recriar a aura  do álbum, acrescentando-lhe um toque mágico resultante da mesma timidez,  que não fazendo deste um monstro de palco, fizeram do concerto de quinta-feira  algo monstruoso.</p>
<p><a href="http://radar.podomatic.com/enclosure/2010-03-25T09_08_21-07_00.mp3">Download do programa «Fala com ela» com entrevista B Fachada.</a></p>
<p>Fotografias da autoria de Vera Marmelo. [<a href="http://www.flickr.com/people/vmarmelo" target="_blank">flickr</a>] [<a href="http://veramarmelo.pt.vu/" target="_blank">portfólio</a>] [<a href="http://v-miopia.blogspot.com/" target="_blank">blog</a>]</p>
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		<title>«Alice no País das Maravilhas»: Quando Burton se perde no seu labirinto</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Mar 2010 10:35:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Martins</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Sessenta anos após a realização da versão animada de «Alice in Wonderland», adaptado a partir da obra de Lewis Carrol escrita em 1865, a Disney decidiu retirar do baú uma das suas obras mais queridas e apreciadas por forma a conferir-lhe um visual actual, confiando-a, para tal, à visão e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><center><a href="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2010/03/aliceWonderland.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1346" title="aliceWonderland" src="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2010/03/aliceWonderland.jpg" alt="" width="600" height="300" /></a></center></p>
<p>Sessenta anos após a realização da versão animada de «<a href="http://www.imdb.com/title/tt0043274/" target="_blank">Alice in Wo</a><a href="http://www.imdb.com/title/tt0043274/" target="_blank">nde</a><a href="http://www.imdb.com/title/tt0043274/" target="_blank">r</a><a href="http://www.imdb.com/title/tt0043274/" target="_blank">land</a>»,  adaptado a partir da obra de Lewis Carrol escrita em 1865, a Disney  decidiu retirar do baú uma das suas obras mais queridas e apreciadas por  forma a conferir-lhe um visual actual, confiando-a, para tal, à visão e  ao génio de Tim Burton.</p>
<p>À partida o nome e currículo de  Burton surgiam como ideal para produzir uma obra tão rica em fantasia –  que é, afinal de contas, a sua praia.  É mesmo inevitável traçarmos um  paralelo entre o universo imaginário de gigantes e bruxas que prevêem a  morte, onde <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000191/" target="_blank">Ewan McGregor</a> se perde («<a href="http://www.imdb.com/title/tt0319061/" target="_blank">Big Fish</a>»)  e este onde habitam coelhos que falam e vestem coletes, onde gatos  sorriem e lagartas fumam um tabaco deverás duvidoso.</p>
<p>Nesse  aspecto, diga-se, Tim Burton foi competente. Tanto o universo ora  sombrio ora caricato – vulgo País das Maravilhas – e a caracterização de  algumas personagens como  uma Rainha de Copas (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0000307/" target="_blank">Helena Bonham Carter</a>) com  tiques de Kim Jong-ll e de um irreverente Chapeleiro (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0000136/" target="_blank">Johnny Depp</a>)  foram executados na perfeição. Diga-se também que, tal é a fasquia à  qual Burton habituou o público ao longo da sua carreira, outra coisa não  seria de se esperar, sendo no mínimo expectável.</p>
<p>Acontece que  faltou o resto. Faltou um fio condutor que mantivesse o espectador  acordado numa sessão de matine.  Faltou algo que não tornasse o filme  tão só uma sequência de cenas mais ou menos caricatas, que oscilassem  entre devaneios de personagens peculiares. No fundo, algo que não  tornasse o filme tão aborrecido. Porque o é, e muito.</p>
<p>E  assim se perde um dos filmes nos quais muitos depositavam algumas  esperanças e que poderia complementar da melhor maneira um ano muito  positivo para o realizador californiano, num período em que a sua obra  foi acolhida e celebrada na <a href="http://www.moma.org/visit/calendar/exhibitions/313" target="_blank">exposição por  demais mediatizada e aplaudida</a>. Não basta por isso a Burton estar  consecutivamente rodeado dos actores em quem mais confia nem recriar  todo aquele universo apelidado de “Burtoniano”, e onde nem mesmo o uso  do 3D – que parece funcionar cada vez mais como um atalho nas bilheteiras  para realizadores mais preguiçosos – ajudam a salvar um filme  condimentado com demasiadas especiarias mas com muito pouco sal.</p>
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